
MÚSICA
Belle and
Sebastian lança single pop, quarto disco, e não chega
ao Brasil por
Schneider Carpeggiani
A Grã-Bretanha que se
auto-proclamou uma nação alterada com as
batidas da dance music e deu ao mundo os egos inflamados
dos integrantes do Oasis e Blur foi a mesma que
disseminou o culto ao Belle and Sebastian. Com um nome
retirado de um romance francês, da escritora Cécile
Aubry (transformado em seriado de TV lá nos anos 70),
que falava das aventuras de um garoto chamado Sébastien
e sua cadela Belle, a banda escocesa não se deixa
fotografar para material de divulgação, faz poucos
shows (sempre em locais intimistas, como cafés e
livrarias), nenhum dos seus integrantes dá declarações
bombásticas na Imprensa e muito menos procura se
utilizar das últimas tecnologias dos estúdios. Tudo
nela é sutil, comedido e cantado com voz bem suave, para
não assustar nenhum esquilo. É o contraponto perfeito
à formula de sucesso da terra dos irmãos Gallagher.
O culto ao Belle and
Sebastian começou com o lançamento de If You Are
Feeling Sinister, em 97, que entrou direto para a lista
dos principais lançamentos da década em várias
revistas especializadas, mesmo passando longe da lista
dos 20 discos mais vendidos e sendo
distribuído por um selo de pequeno porte. Toda essa
repercussão inicial se deveu ao velho esquema de
divulgação boca-a-boca de gente que ficou estarrecida
ao se deparar com versos do tipo Me tire daqui/
estou morrendo/ cante uma canção para me libertar/
ninguém escreve mais como antes, entoadas sem
qualquer exageros vocais e fazendo lembrar a sonoridade
folk de Nick Drake.
Essa maneira do Belle and
Sebastian falar dos problemas cotidianos dos fãs sem
qualquer rodeio fez com que surgisse uma comparação
imediata à outra banda que, há uns quinze anos, fazia a
mesma coisa, Smiths. Só que os escoceses não têm
nenhum cantor falastrão com pinta de mártir pop como
foi Morrissey. A idolatria aqui só existe por causa do
conteúdo poético das letras, e, como declarou a revista
Select: Enquanto os fãs dos Smiths se uniram
tentando mudar o mundo, os fãs do Belle and Sebastian
estão procurando um cantinho independente que possam
chamar de seu.
Para quem ainda não
conhece o som do Belle and Sebastian, uma boa chance
surge na primeira semana de junho, quando a banda lança
o seu 4° álbum, Fold Your Arms Child, You Walk Like a
Peasant. O novo trabalho está sendo aguardado com ânsia
pelos fãs da banda que ficaram decepcionados com o
resultado mediano de The Boy With Arab Strab,
unanimemente considerado inferior a If You Are Feeling
Sinister.
Para os iniciantes e
iniciados na banda, duas notícias não muito
agradáveis: o novo CD não vai ser lançado no Brasil,
como havia sido anunciado, pela Trama, o que significa
pagar o salgado preço por discos importados; e a
possível turnê da banda por território brasileiro em
2000 está mais para impossível. Até agora, só foram
fechados contratos para (poucos) shows pela Europa.
Como já é tradição na
trajetória da banda, antes do CD chegar às lojas, ela
lança um single, com canções inéditas que não vão
fazer parte do álbum e, quase sempre, com um
direcionamento oposto ao do disco. No último dia 22,
Belle and Sebastian lançou o EP Legal Man, com três
faixas novas e uma inusitada guinada para o pop, com
teclados meio anos 60 e participação de um grupo vocal
marcando a batida.
A faixa Legal Man é
bem parada de sucesso mesmo. É a nossa guinada para o
pop, afirmou o assessor de imprensa da banda em
recente entrevista sobre o novo single. Só que o termo
pop, nesse caso, deve ser usado para lembrar o trabalho
de gente como o perfeccionista produtor americano Phil
Spector e da dupla Simon & Garfungel nenhuma
outra comparação poderia ser melhor em se tratando do
grupo..
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