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DENÚNCIA
Hospital da Restauração acusado de trocar corpos de duas mulheres

Uma troca de cadáveres no Hospital da Restauração (HR) está causando a revolta de amigos e familiares de Julieta Leopoldina da Silva, 74 anos, e Vilma Melo de Souza, 61 anos, falecidas no último sábado no hospital. Julieta chegou a ser enterrada, ontem pela manhã, no lugar da outra. A família de Vilma acusa o HR de descaso, já que até ontem à tarde o corpo da dona de casa estava no necrotério num estágio avançado de decomposição, por não ter sido colocado na geladeira. Esta é segunda vez, em menos de um ano, que o HR é acusado de trocar cadáveres. Em dezembro de 99, o hospital trocou o corpo da dona de casa Rosila Ferreira Nascimento.

“Estamos chocados com tudo isso que aconteceu. E o hospital ainda por cima não sabe informar nada para a gente”, afirmou Juvenal Alexandre da Costa, genro de Julieta. Segundo ele, tudo começou quando a família recebeu um comunicado do HR dizendo que só poderia resgatar o cadáver ontem, às 11h, no Serviço de Verificação de Óbito (SVO), na Várzea, mesmo Julieta tendo morrido no sábado pela manhã. “Soubemos através da funerária que o corpo não tinha ido ainda para o SVO, ao contrário do que o hospital havia nos informado”. Só após fazer uma busca nos livros de óbito, disse o genro, foi que a família conseguiu descobrir que Julieta Leopoldina tinha sido trocada por Vilma. Juvenal procurou a funerária atendida pelos parentes de Vilma e comunicou a eles sobre a troca, mas o corpo já tinha sido enterrado.

“Aqui na Restauração não conseguimos falar com ninguém. O que eu soube, através da funerária, é que a minha mãe está jogada lá dentro sem cuidado algum”, disparou Inajar de Melo Souza, filha de Vilma. Ela afirmou que o corpo de Julieta era muito parecido com o de sua mãe. Funcionários do necrotério chegaram a confirmar a troca dos cadáveres. “Todos estão revoltados com isso. Como é que um hospital tão grande pode fazer uma coisa dessas. Será que pensam que todo mundo é indigente?”, questionou Abílio Pereira dos Santos, que era vizinho de Vilma há mais de 40 anos. As duas famílias pretendem entrar com uma ação judicial contra o HR por danos morais e materiais. Elas querem que os corpos sejam destrocados, precisando para isso desenterrar Julieta.

De acordo com o diretor do HR, Gil Brasileiro, deverá ser aberto no hospital um inquérito para apurar o caso. “Sabemos que isso é uma acusação bastante grave, mas não podemos dar informações precipitadas sem antes saber o que causou a troca dos corpos e quem são os responsáveis por isso”.

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Jornal do Commercio
Recife - 29.05.2000
Segunda-feira