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PELOS CONFINS DE PERNAMBUCO II Bode é a autoridade máxima em Quixaba Ele participa de todas as missas dentro da igreja, bem pertinho do altar. Nas épocas das procissões e das novenas, também aparece e ganha um lugar de destaque. Não perde um enterro no cemitério central. Em Quixaba, a maior autoridade nem é o prefeito, muito menos um empresário. A grande atração do local é um bode que atende pelo nome de Galego. Quem chega ao município conhece logo a fama do cidadão. Afinal, Galego tem direito a todas as regalias. Além de ser tratado como gente por Maria José Pereira da Silva, sua dona, ganha comida na boca todo os dias. E sem fazer esforço. Aos poucos, as histórias de Galego, 4 anos, vão se espalhando. Uma das lendas mais interessante do bode surgiu há pelo menos um ano, quando ele praticamente presidiu a procissão de Quixaba. Galego foi amarrado dentro de casa. Quando o andor com o santo passou, ele começou a berrar. Tive que abrir a grade. O danado saiu correndo, passou por todo mundo, derrubou o coroinha e ficou do lado do padre, contou orgulhosa a dona do bode. Galego é tão respeitado na cidade que ele chega junto da pessoa, berra e mostra o que quer comer com a cabeça, acrescenta. Na cidade em que o bode é a autoridade, a serralheria é o principal local de diversão dos jovens. Da antiga Bel Mont, no centro da rua principal, só resta o nome. O local, na verdade, foi transformado na casa de jogos. Além de uma mesa de ferro, repousam uma sinuca e um totó velhos. Na parede amarelada, estão pôsteres novinhos de videogames japoneses. No centro da sala foram instalados os principais motivos da alegria da meninada. São três televisores em cores e três aparelhos de Mega Drive II. Para jogar, basta pagar R$ 0,50 por meia hora. |
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