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PELOS CONFINS DE PERNAMBUCO III Cedro vive das lembranças do ouro Edílson Francisco da Silva, 37 anos, é professor. Maria Rosendo, 19, cuida do barraco onde mora com dois filhos menores. Martins Antônio dos Anjos tem um posto de gasolina. São três trajetórias de vida diferentes de pessoas que, de alguma forma, ajudaram a construir a história de Cedro, um município do Sertão de Pernambuco de oito mil habitantes marcado por um sonho: o de viver da febre do ouro. Ao contrário de algumas cidades do Norte do País, criadas a partir da exploração e da riqueza dos garimpos, a mineração em Cedro não passou de uma tentativa frustrada. Em 1989, apareceram as primeiras minas. Os primeiros explorados chegaram do Rio Grande do Norte para trabalhar nos sítios do Cachorro e Ingá. Uma das mais concorridas foi encontrada no distrito de Gameleira, distante três quilômetros do Centro da cidade, já bem perto da fronteira com o Ceará. Quatro anos depois, as 15 minas exploradas por mais de três mil aventureiros encerraram os trabalhos. Hoje, poucos traços do período dourado ainda restam. Um dia, eu encontrei uma pedra que parecia ouro. Assim surgiu a idéia da exploração. Achamos algumas pepitas, mas tudo que me restou foi uma moto que eu comprei com a aquele dinheiro, comenta o professor Edílson, que dá aulas nas escolas dos pequenos distritos para sustentar a família. O único posto de gasolina de Cedro e muitas dívidas foram o que restaram da experiência com o comércio de ouro de Martins Antônio dos Anjos. O empresário chegou a ter quatro máquinas no garimpo. Por causa da política, ele perdeu tudo o que tinha conquistado com a venda de até um quilo do minério por semana. Aquilo era um dinheiro desgraçado. Tentei ser o prefeito e joguei tudo fora. Agora, dependo do posto que vende mais de 60% fiado para sobreviver, conta o empresário. Ao contrário do professor Edílson e do empresário Martins, Maria Rosendo jamais viu a cor do dinheiro gerado pelo comércio do minério. O fato não seria estranho se ela não morasse justamente a 50 metros da mina do Sítio da Gameleira. A vida da jovem não tem nada de dourada. Sozinha, cuidando de Robson, 3 anos, e Michele, 1, lamenta a falta de notícias do pai das crianças, que foi tentar a vida em Petrolina. Ele já foi há 20 dias e nunca mais soube nada. Eu queria sair daqui, mas acho que não vou conseguir, declarou. |
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