LG_jc.gif (3670 bytes)

LEVANTAMENTO
Equipe registra 30 novas espécies de abelha

por Verônica Falcão

Levantamento da diversidade de abelhas silvestres realizado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) indicou a ocorrência de pelo menos 30 espécies novas para o Nordeste. Os insetos foram encontrados na mata atlântica e caatinga por um grupo de pesquisadores liderado pelo professor do Departamento de Botânica Clemens Schlindwein. O biólogo está descrevendo as espécies em cooperação com especialistas da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Mais de 200 espécies de abelhas foram encontradas na região desde 1997, quando o biólogo iniciou o estudo. Schlindwein, no entanto, estima que a diversidade seja aproximadamente três vezes maior. No Brasil, segundo ele, existem cerca de 3 mil espécies de abelhas. A quantidade conhecida no mundo é de 10 mil.

O biólogo, com doutorado em Zoologia na Universidade de Tübingen, na Alemanha, considera fundamental o levantamento para pesquisas sobre a ecologia das abelhas, reconhecidas como os mais importantes polinizadores.

Schlindwein, que já coletou três mil exemplares de abelhas, pretende continuar o levantamento ao lado de outras pesquisas do Grupo de Ecologia Vegetal do Departamento de Botânica da UFPE. Na opinião do especialista, serão necessários mais cinco anos para concluir a lista de espécies para a Mata Atlântica e outras formações vegetais do Nordeste.

Além de identificar a espécie, os pesquisadores coletam informações de campo sobre o seu comportamento e hábitos alimentares. “Nós coletamos a abelha e a flor que ela está visitando”, explica. O inseto é depositado numa coleção de referência que está sendo montada no Departamento de Botânica e as flores são identificadas e enviadas para o herbário da instituição.

Todas as informações alimentam um banco de dados informatizado, que contém o nome da espécie e os dados de coleta como local, data e hora. O sexo da abelha, a flor visitada e o tipo de pólen agarrado ao corpo do animal também são anotados. O pólen, explica o pesquisador, revela em que outras plantas a abelha tem coletado néctar ou pólen. “Quando visita a flor, a abelha traz o pólen em suas pernas para a cria”, esclarece. É depositando esse pólen no estigma (uma das partes do aparelho sexual feminino da flor) de uma outra flor da mesma espécie que a abelha realiza a polinização.
O pólen que fica agarrado aos pêlos das patas da abelha também está sendo guardado na UFPE. Na palinoteca, o pólen das plantas visitadas pelas abelhas é conservado em lâminas. Assim como a coleção de abelhas, a de pólen será utilizada como referência para futuros estudos de identificação de espécies.

O grupo pesquisa ainda o comportamento das abelhas. Há abelhas sociais, aquelas com as castas de rainhas e operárias desempenhando tarefas diferentes na colméia, e as solitárias, que fazem ninhos individuais e os adultos não têm contato com as crias.

ACEROLA – Um exemplo das abelhas solitárias é a que visita a acerola e outras plantas da mesma família. No lugar de néctar, entretanto, ela busca nas flores dessa frutífera arbustiva óleos florais.

________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 28.05.2000
Domingo