TEMPO DOS FLAMENGOS III
Preciosas
informações de história Em 1942, a Historia naturalis
Brasiliae etc. veio a ser traduzida para o português
pelo monsenhor José Procópio de Magalhães, sob o
título História Natural do Brasil, numa publicação do
Museu Paulista e Imprensa Oficial do Estado de São
Paulo, in folio, 25,5 cm. x 39 cm., com a reprodução da
folha de rosto, iluminuras e desenhos da edição de
1648. Prefácio de Affonso de E. Taunay. 298 p + CIV.
Outro livro de rara beleza
iconográfica é o poema de Franciscus Plante,
Mauritiados, dedicado ao Conde João Maurício de Nassau,
de quem era capelão. A obra, datada de 1647, impressa em
Amsterdam por Joannis Maire, tem o formato de 42 cm x 30
cm, 205 p., sendo ilustrada por 20 gravuras
(anteriormente publicadas no livro de Gaspar Barlaeus),
quatro mapas desdobráveis (Ceará, Pernambuco, Paraíba
e 'Pernambuco Boreal'), um retrato de João Maurício de
Nassau (o mesmo do livro de Gaspar Barlaeus, gravado por
Theodoro Matham) e outro do próprio Franciscus Plante,
gravado por Jonas Suyderhoof. Já em 1872, esta obra era
considerada por Fr. Mueller como um trabalho raro e
magnífico.5
De extrema raridade é
outro folheto (16 p. il.), que também leva a assinatura
do reverendo Franciscus Plante, totalmente desconhecido
pelos bibliógrafos e estudiosos que se dedicaram ao
período holandês. Trata-se de um texto poético, com 16
páginas contendo preciosas ilustrações, sobre a
tentativa da tomada da Bahia de Todos os Santos por frota
comandada pelo Conde João Maurício de Nassau,
publicado, sob o título Legatio Pernambucencis, impresso
em Leiden, na oficina de Wilhelmi Christiani, em 1642. -
O único exemplar conhecido deste precioso opúsculo
encontra-se hoje na biblioteca do Prof. José Antônio
Gonsalves de Mello, adquirido à Livraria Kosmos (Rio de
Janeiro), em 8 de março de 1973.
Do lado dos holandeses, a
História das Guerras Brasílicas teve também os seus
cronistas, com especial destaque para as obras de
Johannes de Laet, Johan Nieuhof e Pierre Moreau.
Ao primeiro se deve a
Nieuwe Wereldt ofte Baschrijvinghe van West-Indien etc.,
cuja primeira edição foi impressa em Leiden em 1625,
tratando do Brasil nos livros 14 e 15 quando descreve a
tomada da Bahia (1624). A quarta edição desta obra,
publicada em francês em 1640, L' Histoire du Nouveau
Monde ou, Description des Indes Occidentales, com 14
mapas desdobráveis, ilustrações ao texto, 632 p., é
da maior importância pois seu autor, além da conquista
da Bahia, trata da tomada de Olinda e Itamaracá (1630),
do Rio Grande do Norte (1634), da Paraíba (1635), sendo
suas informações repetidas por outros cronistas e suas
ilustrações reproduzidas em outras publicações da
época. A primeira edição da obra foi traduzida para o
português por José Hygino Duarte Pereira, História ou
annaes dos feitos da Companhia Privilegiada das Indias
Occidentaes, desde o seu começo até ao fim do anno de
1623, por Joannes de Laet, Director da mesma Companhia.
Pernambuco: Typographia do Jornal do Recife, 1874. 84 p.
A obra de Johan Nieuhof,
Gedenkweerdige Brasiliaense Zee-en Lant-Reize, Behelzende
Al het geen op dezelve is voorgevallen, etc. Amsterdam,
1682, é indispensável para o conhecimento do período
entre 1640 a 1649, quando ocorre a grande reação dos
luso-brasileiros contra a invasão flamenga, movimento
deflagrado em 13 de junho de 1645 e que ficou conhecido
como a Insurreição Pernambucana. Publica ele inúmeros
documentos apreendidos das forças locais de grande
importância para o entendimento das causas da rebelião.
Dele existe uma edição brasileira, Memorável viagem
marítima e terrestre ao Brasil, numa tradução de
Moacir N. Vasconcelos, confrontada com a edição
holandesa por José Honório Rodrigues. São Paulo:
Livraria Martins, 1942. (Biblioteca Histórica
Brasileira, v. 9).
Coube a Pierre Moreau
escrever sobre os últimos dias do Brasil Holandês,
quando da publicação do seu Histoire des derniers
troubles du Brésil. Entre les hollandais et les
portugais. Paris: Chez Augustin Coubre, 1651. 212 p.
Chegado a Pernambuco em 1646, Moreau vem a presenciar os
acontecimentos que precederam a rendição dos
holandeses, escrevendo suas impressões com base nas
observações pessoais, desprezando a documentação
oficial que tinha ao seu dispor. Seu livro, juntamente
com o de Nieuhof, é, no dizer de José Honório
Rodrigues, repleto de informações preciosas para a
história social do período, sendo uma das fontes
principais do ponto de vista holandês. Em 1979, numa
edição conjunta da Universidade de São Paulo e
Livraria Itatiaia Editora, foi publicado o livro de
Pierre Moreau juntamente com o relatório de Roulox Baro,
sob o título conjunto História das últimas lutas no
Brasil entre holandeses e portugueses e Relação da
viagem ao país dos tapuias, numa tradução de Leda
Boechat Rodrigues, com nota introdutória de José
Honório Rodrigues. 128 p.
Do lado dos
luso-brasileiros, a história é contada com cores vivas
pelos cronistas, que viveram o dia-a-dia da guerra,
destacando-se as obras do donatário da capitania de
Pernambuco, Duarte de Albuquerque Coelho, Memorias
diarias de la guerra del Brasil, por discurso de nueve
años, empeçando desde el de MDCXXX. Madrid: Diego Diaz
de Carrera, 1654; Diogo Lopes Santiago, História da
guerra de Pernambuco e feitos memoráveis do mestre de
campo João Fernandes Vieira, herói digno de eterna
memória, publicada inicialmente na Revista do Instituto
Histórico e Geográfico Brasileiro. v. 38-43. Rio:
1875,7 Frei Manuel Calado do Salvador, O Valeroso
Lucideno e Triunfo da Liberdade. Lisboa: Paulo
Craesbeeck, 1648; Francisco de Brito Freyre, Nova
Lusitania, historia da guerra Brasilica. Lisboa: Off.
Joam Galram, 1675; ainda do mesmo autor, Viagem da Armada
da Companhia do Commercio e frotas do Estado do Brasil.
Impressa por mandado de El Rey nosso Senhor, Anno 1655,
que juntos bem descreveram as lutas e outros importantes
fatos da dominação holandesa, não esquecendo de
ocorrências menores, usos e costumes da sociedade de
então, bem como do comportamento de reinóis, mazombos
(como eram chamados os filhos de portugueses nascidos no
Brasil), holandeses, judeus (que durante este período
estabeleceram no Recife a primeira comunidade organizada
das três Américas), índios, negros e demais habitantes
do Brasil Holandês, cujas fronteiras se estendiam do Rio
São Francisco ao Maranhão.
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