LG_jc.gif (3670 bytes)

CONE SUL II
Uruguai e Brasil se estranham no Mercosul

BRASÍLIA – O Mercosul deixará de ser apenas um, será dois. Para a diplomacia brasileira, haverá um avanço maior nos acordos entre o Brasil e a Argentina do que nos do bloco (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). O Itamaraty chama essa estratégia de integração Mercosul de duas velocidades.

A mudança no projeto original, que prevê acordos quadrilaterais, se deve ao novo desafeto brasileiro: o Uruguai. Na opinião dos negociadores brasileiros, os uruguaios fazem tudo para obstacular o avanço da integração. “O Brasil não pode ser refém de um sócio com atitude pouco construtiva”, disse um dos principais negociadores brasileiros.

A estratégia não é certa de obter sucesso. Pelas regras do Mercosul, os quatro membros têm o mesmo poder de voto e veto. Para alguns temas será possível aplicar duas velocidades; em outros, o Uruguai, se quiser, conseguirá criar dificuldades.

Os uruguaios sabem que estão chateando o vizinho maior, mas não pensam em mudar de estratégia. Com essa postura, conseguem vantagens comerciais.

O ministro de Indústria do Uruguai, Sergio Abreu, qualificou a posição do seu País de inteligência que incomoda. A autodescrição foi feita depois dos resultados da negociação em torno do regime automotivo. Os uruguaios conseguiram uma tarifa mais baixa de importação para carros de países de fora do bloco que a praticada por Brasil e Argentina. Para o Brasil, a concessão foi injusta.

O mau humor no momento é tanto que alguns chegam a prever modificações no Tratado de Assunção, que originou o Mercosul. Opção pouco provável devido aos custos internacionais de imagem.

_____________________-___________________


Jornal do Commercio
Recife - 29.05.2000
Segunda-feira