LG_jc.gif (3670 bytes)


Banda C deve provocar nova revolução no setor

A revolução que se processa no setor de telecomunicações reserva novas opções para os usuários de telefonia. A principal delas talvez seja a implantação de uma terceira operadora, a Banda C, para concorrer com as atuais companhias telefônicas. A Banda C vai funcionar como as empresas-espelho da telefonia fixa. A implantação de uma nova freqüência vai permitir a transmissão de sinais de voz, texto, imagem e serviço multimídia. Nas duas bandas de telefonia em operação hoje, existem nada mais nada menos que 16 milhões de telefones celulares em uso. No final de 94, quando o celular começou a ser implantado no Brasil, haviam 800 mil.

A Banda C vai entrar em funcionamento no próximo ano, mas já desperta o interesse de grupos privados nacionais e internacionais, antes mesmo que as licitações, programadas para o final deste ano, tenham sido realizadas. A disputa promete ser acirrada porque está em jogo um negócio que poderá movimentar mais de R$ 10 bilhões até 2005. As licitações estão programadas para ocorrer em outubro.

Neste momento, o Ministério das Telecomunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) está realizando audiências públicas para escolher a tecnologia a ser adotada. Existem duas opções. O modelo adotado pode ser americano ou europeu, abrindo espaço até para um jogo de pressão diplomática internacional.

A faixa de freqüência utilizada na Europa é de 1.8 gigahertz (GHZ). Já a faixa adotada pelo padrão americano é de 1.9 GHZ. Caso escolha um ou outro, além de uma decisão técnica, o Brasil estará sinalizando a aproximação estratégica de um ou outro bloco econômico.

A guerra esconde ainda a divisão da fatia de mercado dos grandes fabricantes mundiais. Na defesa do modelo europeu, de 1.8 GHZ estão as multinacionais Siemens, Nokia e Alcatel. Na outra ponta, na defesa do modelo 1.9 GHZ, não por acaso estão empresas que usam o modelo norte-americano, como a Ericsson, Motorola, Nec e Qualcomm.

A favor do modelo americano há uma vantagem mais evidente. Se o Governo optar pelo modelo 1.9 GHZ, as operadoras terão a opção de escolher entre o padrão GSM ou um dos dois padrões existentes no País, o TDMA ou CDMA. O modelo europeu só permite que as operadoras utilizem o padrão GSM.

________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 17.05.2000
Quarta-feira