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Oferta de linhas duplica com a privatização

A área de telefonia fixa é um dos setores mais beneficiados com a privatização das telecomunicações. Desde julho de 1998, só o Estado de Pernambuco ganhou 218 mil novos telefones em operação, ampliando em mais de 50% a oferta de linhas. A Telemar, sucessora da Telpe, trabalha para eliminar a demanda reprimida até o final do ano, mas desde a privatização o telefone deixou de ser um bem de uso exclusivo da classe mais abastada e tornou-se acessível aos consumidores das classes C e D. Já a população intermediária – classe B – está entrando no segundo telefone. O melhor é que o preço também caiu. Hoje, uma linha da Telemar custa R$ 70, mas já chegou a custar mais de R$ 1,5 mil, no tempo da antiga Telpe.

Em julho de 1998, quando a ex-Telpe foi vendida, junto com outras 15 estatais, para o grupo Telemar, os pernambucanos contavam com 405 mil telefones em funcionamento. Atualmente, a planta soma 623 mil terminais, de acordo com os números disponíveis até o final do mês de março.

O mesmo aconteceu com o número de telefones públicos, que saltaram de 25,3 mil em julho de 1998 para 37,2 mil até março último, representando um incremento de 12,4 mil telefones públicos em menos de dois anos. O número poderia ser até maior, não fossem os prejuízos causados pelo vandalismo. A Telemar, para cada três aparelhos que deixasse de consertar, poderia instalar um outro. A implantação de um telefone público custa cerca de R$ 900, enquanto a empresa é obrigada a gastar cerca de R$ 350 por manutenção de cada aparelho.

O superintendente da Telemar, Carlos Alberto Becker, explica que a ampliação somente foi possível porque a empresa está investindo cerca de R$ 400 milhões desde 98, sendo R$ 152 milhões apenas neste ano, para a modernização da planta. Na época da privatização, por exemplo, a digitalização das centrais chegava a 73,4%. Hoje, a digitalização é quase integral, com um índice de 92%. “A nossa planta já é a mais digitalizada do País, mas a nossa meta é chegar a 95%”, declara Carlos Alberto Becker. A digitalização é importante porque permite que a empresa ofereça serviços mais avançados, como o Siga-me, chamada em espera, e a Caixa Postal.

Além da expansão física, a qualidade do serviço também vem passando por uma melhoria constante. Na época da privatização, a complementação das ligações matutinas ocorria em 49,8% das chamadas. Do final do ano passado até agora, já chega a 60,06%. O alívio nos congestionamentos foi obtido com uma atenção especial, junto a bancos e empresas de comunicações, no horário das 9 às 11 da manhã.

A realização das chamadas de longa distância é outro exemplo de melhoria na qualidade dos serviços. Antes da privatização, apenas 43,7% das ligações eram completadas. Em abril último, a empresa encerrou o mês com 62% das ligações completadas com sucesso, em cada 100 tentativas. Outro indicador favorável é a reclamação de erros em contas. Em janeiro de 1999, a Telemar tinha problemas em 8,9 contas para cada mil, mas desde o final do ano passado já baixou este índice para 3,9 – abaixo dos quatro erros em cada mil permitidos pelas metas da Anatel.

“As pesquisas que contratamos junto a empresas privadas nos mostram que 82% dos nossos clientes acham os serviços bom ou ótimo. O núcleo de Pernambuco, Paraíba e Natal detém a segundo melhor avaliação, depois apenas de Minas Gerais. Na época que a empresa era estatal, o índice de satisfação era inferior aos 60%”, conta Carlos Alberto Becker. Ele informa que só os pedidos de transferência de linha chegaram a 20 mil neste primeiro trimestre, quando no ano passado somaram 74 mil. Para melhorar o atendimento, desde abril a empresa inaugurou um Web Call Center, que recebe e gerencia solicitações de serviços via Internet. São cinco centrais de atendimento online, uma para cada núcleo da Telemar.

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Jornal do Commercio
Recife - 17.05.2000
Quarta-feira