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CLÁSSICO IV
Humilde, Nildo prefere não se coroar o herói da goleada

Cercado pela imprensa após o clássico, Nildo mal sabia como expressar sua gratidão pelos elogios que recebia. No entanto, o jogador fez questão de dividir com os companheiros de equipe os méritos pela goleada.

“Só fiz os gols porque fui agraciado com passes dos colegas. Isso é espírito de conjunto. Quando tive oportunidade, também toquei a bola para quem estivesse melhor colocado, como foi o caso de Leonardo, no lance do primeiro gol.”

Atleta de Cristo, o meio-campista rubro-negro dedicava a boa atuação à sua família e à crença religiosa que segue. E não soube responder qual teria sido o tento mais bonito da partida. “Todos os gols foram belos e bem trabalhados. O mais importante de tudo é considerar o entrosamento e a confiança que estamos demonstrando a cada vitória.”

Ainda que o jogador não queira destacar as suas qualidades individuais como sendo necessárias para mais esta conquista leonina, a resposta estava no comportamento da torcida, terminado o jogo. Uns chegavam a ficar eufóricos quando falavam de seu oportunismo, ao se posicionar bem para receber o passe do terceiro gol. Outros diziam que ele é um jogador que não pode sair do time, pois mostrou um raro talento na conclusão.

Imune à gratidão dos fãs, ou, pelo menos, preferindo não deixar que isso suba à cabeça, Nildo relembrou que este é o seu melhor momento no clube, neste ano. Desde a decisão de 99, ele não deixava o gramado como o personagem de um jogo.

“Na final do ano passado, contra o Santa Cruz, marquei os dois gols, quando vencemos por 2x1. Naquele campeonato, ainda houve outro clássico que me dei bem e ouvi os torcedores gritando meu nome, o que me deu moral para continuar fazendo este trabalho. Agora, isso voltou a acontecer.”

Por ter tomado o terceiro cartão amarelo, o meia-ofensivo não vai participar do clássico contra o Santa Cruz, quarta-feira, no Arruda. Segundo o jogador, foi um erro da arbitragem tê-lo expulsado, pois tinha sofrido falta do zagueiro Alex, ao invés de cometer a infração. “O juiz cedeu à pressão dos alvirrubros, que estavam de cabeça quente e queriam mandar em tudo”.

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Jornal do Commercio
Recife - 29.05.2000
Segunda-feira