
ROLAND GARROS
PARIS É
UMA FESTApor
Álvaro Filho
Não bastasse ser a terra
dos vinhos, queijos, museus e dos apaixonados, Paris
ainda tem o privilégio de ser, durante 15 dias por ano,
a capital do tênis mundial. Ao lado do Aberto da
Inglaterra, disputado em Wimbledon, o torneio de Roland
Garros é o mais tradicional Grand Slam do circuito
profissional e, de longe, o mais charmoso. Para nós,
apresenta ainda um atrativo a mais: é disputado em
quadras de saibro, a praia dos tenistas brasileiros. A
edição 2000 da competição começa hoje e vai até o
dia 11 de junho.
Foi no Aberto da França
que o brasileiro Gustavo Kuerten desabrochou para o
mundo. Em 1997, o desconhecido garoto de Florianópolis,
cabelos grandes e roupas coloridas, mais para surfista
que para tenista, desafiou as feras do tênis mundial e
fez bonito: foi campeão onde um ano depois o futebol
fracassaria. Desde então, Guga vem conquistando a
simpatia de todos, de boleiros a adversários, além de
um lugar especial no coração da torcida brasileira,
órfã de ídolos desde que um acidente encerrou a
carreira e a vida brilhante de Ayrton Senna, em 1992.
Em 1998, um Gustavo
Kuerten ainda inexperiente não suportou a pressão de
ser o favorito e deixou a desejar, ficando logo nas
primeiras rodadas. No ano passado, Guga chegou às
quartas-de-final, quando foi atropelado por um trator
croata chamado Medvedev (passou por Fernando Meligeni,
nas semifinais), quase tirando de Andre Agassi o título.
Porém, neste ano, os
ventos parecem soprar a favor do brasileiro. Guga chega a
Roland Garros como o número dois no mundo, vice-campeão
nos Master Series de Miami e Roma, e campeão em
Hamburgo, dono do saque mais eficiente do ano,
registrando até agora a impressionante marca de 297
aces, aquela jogada onde o adversário não vê nem por
onde a bola passou. Um deles chegou a 212 quilômetros
por hora. Tamanho cartel faz do brasileiro o jogador que
mais recebeu prêmios na atual temporada: US$ 962 mil.
UMA FESTA
Mais do que uma competição de tênis, Roland Garros é
uma festa. Desde 1891, a capital francesa se enfeita para
receber o Aberto da França. Porém, só em 1927 a
competição começou a ser disputada no local onde viria
a ser o complexo de Roland Garros, quando o governo
francês resolveu construir um local para a disputa da
Copa Davis. Em 1979, a quadra número 1, a
Central, foi construída e o mais charmosos dos palcos do
tênis mundial passa atualmente por uma reforma para
ficar ainda mais moderno no terceiro milênio. Estima-se
que mais de 2,5 bilhões de telespectadores assistam à
competição.
Os australianos levam
vantagem em Roland Garros, conquistando o torneio 11
vezes. O mais jovem vencedor foi o norte-americano
Michael Chang, em 1989, aos 17 anos. Monica Seles,
também dos EUA, detém o recorde feminino: venceu aos 16
anos, em 1990. A húngara Zsuzsi Kormoczy, aos 33 anos,
em 1958, foi a mais idosa campeã, enquanto o romeno
Spaniard Anders, 34 anos, foi o mais velho, em 1972.
O papa-títulos é o sueco
Bjorn Borg, seis vezes campeão, em 1974, 75, 78, 79, 80
e 81. A norte-americana Chris Evert é a recordista entre
as mulheres, conquistando em sete ocasiões. Neste ano, o
americano Andre Agassi tenta o bicampeonato. A alemã
Steffi Graf, por sua vez, não poderá repetir o feito,
pois pendurou as raquetes na temporada
passada.
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