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DESCOBRINDO O BRASIL II
Passeio de barco no lugar de treinos

No lugar das caravelas, uma barulhenta traineira. Assim os portugueses do Estrela Amadora ‘invadiram’ Itamaracá em mais um dia dos tantos de folga que a equipe teve e terá desde que desembarcou no Brasil. Com a exceção dos jogos contra Sete de Setembro, Central e ABC, os únicos calções utilizados pelos lusos foram os de banho. Afinal, é férias na Europa e ninguém é de ferro.

Só quem não embarcou foi o técnico Quinino. Ao contrário dos antepassados, desbravadores dos sete mares, o treinador teme qualquer atividade náutica e preferiu ficar em terra firme.

Os outros tiraram de letra. Besuntados em litros de filtro solar, os jogadores prestaram mais atenção aos supostos efeitos afrodisíacos das ostras do que à beleza das paisagens. Um pagode estourava os amplificadores da embarcação, enquanto o calor era amenizado por cervejas geladas, depois o almoço foi na Coroa do Avião e o retorno ao pôr-do-sol. Quando não estão passeando, os coletivos são substuídos por leves treinos nas areias de Boa Viagem. Depois os espertos somos nós.

CAMINHA ÀS AVESSAS – À época do descobrimento do Brasil, o escrivão da frota de Cabral, Pero Vaz de Caminha, escreveu ao rei de Portugal enaltecendo as nossas belezas. Mas o lateral-esquerdo do Estrela Amadora, João Pires, 500 anos depois, ficou decepcionado. “O Recife é muito feio. Só prédios altos, muita pobreza e prostituição. Nem a água do mar é tão limpa quanto eu pensava”, lamenta o jogador, que se diz frustrado em encontrar tal situação. Só o futebol da ex-colônia não o desapontou. “Vi, um dia à noite, os miúdos (moleques) jogando na praia e fiquei admirado com a habilidade deles. O futebol está no vosso sangue.”

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Jornal do Commercio
Recife - 29.05.2000
Segunda-feira