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GENTE DE ESPORTES II
De vendedor de manga a dirigente. A vida de Edinho

Vamos ao começo. Édson Nogueira nasceu no dia 01/05/1944, no bairro de Beberibe, Olinda. Filho de um vaqueiro e uma dona de casa, o garoto Edinho viveu bem até os 15 anos, quando perdeu o pai, Francisco Nogueira. Foi a prova de fogo para ele, a mãe Josefa e os irmãos Eduardo (atual secretário municipal de Saúde) e Gilda. A labuta diária era qualquer coisa que aparecesse. “Vendi manga, fui motorista de táxi... Fui para a vida”, resume.

Tinha tempo também para a tradicional peladinha, onde jogava de ‘teimoso’ – ou ponta-direita, futebolisticamente falando. Entre colegas de ‘rachão’, encontravam-se futuros craques, do quilate de Miruca, Terto e Mário Tilico (o pai). Só que o bolso apertou a ponto de o futuro preparador físico, gerente, pendurar as chuteiras. “O futebol não me dava sustento e minha família ficou sem-teto e sem-terra (pois uma tia rica, dona de fazendas, os abandonou)”, lembra.

Ainda assim, Edinho completou os estudos e ingressou na faculdade de Educação Física, na UPE. Logo depois, mais um curso, desta vez no mundo. “Sou PHD, Mestre e Doutor na Universidade do Mundo”, costuma dizer. Na época militar, Édson Nogueira partiu para a África, como soldado da ONU (Organização das Nações Unidas), no Batalhão de Suez. “Eu só falava português, e mal, mas conseguia me comunicar em todos os lugares”, destaca.

Foi no período de caserna que Edinho encontrou o segundo pai e aprendeu o sentido de palavras como lealdade e gratidão. “Foi o general Sílvio Ferreira da Silva, comandante do batalhão. Ele me adotou”, rememora.

Além do pai postiço, culturas diferentes, línguas diferentes e climas diferentes o acompanharam em todo esse tempo. “Imagina só: eu pobre, lascado, conhecendo o Cassino do Líbano, o Mar Morto, o Estreito de Gibraltar!”, espanta-se.

DELEGADO – Da Educação Física, Edinho passou para delegado, quando tirou um dos primeiros lugares no concurso interno da Polícia Civil. “Sou delegado, mas nunca precisei usar uma arma”, orgulha-se.

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Jornal do Commercio
Recife - 29.05.2000
Segunda-feira