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SAÚDE
Como ensinar os seus filhos a comer bem

por Marcia Cezimbra
Agência Globo

Como obrigar um filho a comer um prato de arroz integral com legumes e peixe grelhado, se ele só vê à sua volta suculentos hambúrgueres, batatas fritas, biscoitos com sabor, cor e conservante artificiais? Para a atriz Cássia Kiss, adepta da alimentação saudável, a mãe deve ter determinação na tarefa fundamental de escolher para as crianças o que é realmente bom para a saúde.

“Eu não obrigo meus filhos a comer nada, mas, na idade deles, eles vão comer o que eu quero. Se não estão com fome agora, não precisam comer. Mais tarde, vão ter fome e comer comida saudável. Não vou dar fast food a meus filhos só porque não querem naquele momento um prato de comida integral”, diz.

Uma alternativa de Cássia Kiss para driblar os salgadinhos, hambúrgueres, balas e chicletes é cozinhar com os filhos receitas simples de bolos, pães e biscoitos integrais. Além de aprender o que faz bem, as crianças se divertem e comem com prazer um prato feito em família.

Além de determinação e empenho, a mãe deve usar sua intuição para alimentar bem a criança, segundo a escritora Beth Wilson Saavedra, autora do livro Meditação para as mamães de crianças pequenas ( Editora Rocco). “Há casos curiosos, como o da mãe que escondeu os vegetais no purê de batatas. Mas a criança resolveu se livrar de cada grão de ervilha e o purê ficou intragavelmente gelado. Uma outra esculpiu um Mickey numa maçã. E ouviu o filho chorar dolorosamente, dizendo: ‘Mamãe, eu não posso comer o Mickey!’ ”,comenta Beth, para quem a única conduta errada é forçar a criança a comer de tudo, sem respeitar seus gostos.

Ainda que a missão pareça impossível, o nutricionista Leonardo Haus diz que, se a comida for saborosa e colorida, qualquer criança comerá legumes. Assim, nos fins-de-semana, qualquer biscoito valerá a pena. “Há alimentos que só pelo cheiro e pela cor a gente vê que fazem mal”, ensina.

Já as nutricionistas Cristiane Andréa Pinho Macedo, Karine Lamas Bello e Liliane Amorim Garcez Palha, da Universidade Gama Filho, autoras do livro A criança que não come, explicam que a relação que uma pessoa tem com a alimentação ao longo de toda a vida é fruto das primeiras relações que a criança estabelece com o mundo.

Segundo as autoras, se a criança não se alimenta do jeito que a mãe julga necessário, a mãe achará que ela não come direito. Cria-se, assim, um desajuste cotidiano na relação familiar. No livro, as nutricionistas fazem um estudo detalhado sobre a recusa de alimentação pela criança e avaliam as medidas de prevenção e tipos de tratamento para cada caso.

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Jornal do Commercio
Recife - 28.05.2000
Domingo