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EDUCAÇÃO Pesquisa revela baixo nível de leitura entre universitários de SP por David
Ricardo SÃO PAULO Os universitários paulistanos estão mais conscientes de que devem investir em suas carreiras se quiserem obter sucesso profissional, mas ainda lêem muito pouco e, na maior parte das vezes, suas leituras agregam poucos conhecimentos técnicos e acadêmicos. A análise foi realizada
pelo pesquisador José Pastore, da Fundação Instituto
de Pesquisas Econômicas (Fipe). O referencial de comparação foi um estudo semelhante, realizado pelo Fórum no ano de 1988. Em pouco mais de 11 anos os jovens passaram a freqüentar mais os cursos superiores e também cresceu o interesse pelos programas de pós-graduação (de 71% para 87%), o que demonstra esse nível de consciência quanto à formação, observou Pastore. Entretanto, não melhorou o nível de leitura, apesar de os universítários se considerarem mais informados. Na opinião do pesquisador, é possível que tenha aumentado o número de fontes de informação utilizadas pelos jovens (de acordo com a pesquisa, aproximadamente 82% já utilizam a Internet). Mas ainda é preciso estimular a leitura de livros e revistas técnicas e de conhecimentos gerais, com qualidade, avalia. EXEMPLO DE CONDUTA E é neste ponto que o professor faz um mea culpa: Devo admitir que os mestres devem dar mais exemplos de conduta, e não somente despejarem uma grande carga de informações, que é o que se espera destas pessoas hoje em dia, afirma. Vale mais o que alguém faz com aquilo que sabe do que necessariamente o que sabe, acrescenta. Pastore também não vê como totalmente positivo o fato de os jovens estarem mais adaptados às exigências do mercado. O lado negativo é que tem sido comum vermos jovens muito bem sucedidos na bolsa de valores, mas que são uns neuróticos, por exemplo, porque existem coisas que não se aprende na escola, ressalta. PERFIL SÓCIO-ECONÔMICO O perfil sócio-econômico dos jovens universitários não mudou muito. A maioria continua na faixa de 19 a 25 anos (87%), é solteira (85%), não tem filhos (87%) e mora com os pais (71%). Eles também têm muito mais interesse em integrar a iniciativa privada (de 44% para 63%) e 89% gostariam de montar um negócio próprio. Algumas mudanças foram percebidas no perfil cultural: o jovem está mais conservador e ignora alguns comportamentos mais radicais de jovens da última década. Aumentou também o número dos que crêem em Deus (de 76% para 88%). Também aumentou a reprovação à exibição de cenas de sexo na TV (de 35,7% para 60%) e à legalização do aborto (de 22,2% para 34%). CRISE Quanto à situação do País, a maior parte continua acreditando que existe uma crise (94%), mas aponta causas de natureza diversa: no ano de 1988, cerca de 66% indicavam uma crise de caráter econômico no país, enquanto hoje aproximadamente 56% afirmam haver uma crise social. |
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