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REFORMA AGRÁRIA II
Conflitos entre MST e polícia preocupam bispos da CNBB

SÃO PAULO – Os conflitos entre o governo e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no ano 2000 constituem um dos principais destaques do mais recente boletim de análise de conjuntura da Comissão Brasileira de Justiça e Paz organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). De acordo com o documento, divulgado anteontem, o governo federal vem promovendo uma campanha de criminalização do MST.

Isso seria mais um indicador da extrema má vontade com a qual os pobres e excluídos desse País são tratados. Os autores do boletim, formado por seis padres, uma religiosa e sete leigos, chamam a atenção para a intensificação dos conflitos ocorridos no Paraná. De acordo com o texto, aquele Estado teria experimentado, entre 93 e 98, um avanço da reforma agrária, com a desapropriação de um número expressivo de latifúndios. O Incra teria sido o principal responsável pelo avanço, favorecendo negociações.

Mas, pressionados por fazendeiros, o governo teria restringido a ação do Incra e deu maiores poderes à polícia, o que resultou na intensificação dos conflitos. Isso ocorreu porque o Paraná foi o Estado escolhido pelo governo federal, com a cumplicidade do governador Jaime Lerner, para ser o palco de um caso exemplar de política de controle das iniciativas dos trabalhadores rurais.

Neste ano, a CNBB foi chamada em duas ocasiões para intermediar acordos entre o governo e o MST. Em nenhuma delas os resultados foram satisfatórios.

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Jornal do Commercio
Recife - 31.12.2000
Domingo

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