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RETROSPECTIVA 2000 VII Um ano de surpresas para o cinema
A sociedade americana desmascarada em vidas esgotadas pela infelicidade particular dos indivíduos. Quem diria que uma trama como essa pudesse ganhar o Oscar de melhor filme? Pouquíssimos é certo. Pois foi assim que o ano começou para o cinema quando Beleza Americana ganhou o Oscar de melhor filme. A partir dali, toda surpresa seria pouca na produção cinematográfica do mundo. E tanto foi assim, que a grande revelação em atuação do ano é nada menos que uma atriz: a islandesa Björk ganhou o prêmio de melhor atriz no festival de Cannes com o filme Dançando no Escuro, do dogmático Lars Von Trier.
Em São Paulo, a maior cidade brasileira e, por incrível que pareça, a mais resistente ao cinema nacional, lotou as sessões do sucesso de bilheteria nacional do ano: Auto da Compadecida, de Guel Arraes, adaptado da obra de Ariano Suassuna, foi recorde de bilheteria em quase todos os estados brasileiros, inclusive São Paulo. Eu, Tu, Eles, de Andrucha Waddington ganhou os prêmios de melhor filme e atriz para Regina Casé, em Havana e concorre a uma vaga de melhor filme estrangeiro no próximo Oscar. Já em Hollywood, as pessoas assistiriam meio embasbacada a uma ameaça de greve das grandes estrelas, as mesmas que ganham inimagináveis fortunas por cada filme. O que elas pediam: salários mais justos (!).
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