Um dos principais expoentes do som britânico dos últimos 10 anos lança coletânea com os seus maiores sucessos em momento de marasmo para os grupos da terra da rainha
por SCHNEIDER CARPEGGIANI
Até certo tempo, os principais produtos de exportação da Escócia eram o velho uísque e (de acordo com os impagáveis ingleses) os insetos. Atualmente, porém, a situação é bem diferente. A cargo do som de bandas como Belle and Sebastian e Delgados, os escoceses estão enviando para o mundo a mais pura e bela melancolia em forma de som. Enquanto isso, o britpop (o made in England, não o realizado por artistas de outras localidades da Ilha) vive um período de ressaca, com os seus principais expoentes fora de atividade (cadê o Suede e o Pulp?) ou apenas revisitando o passado. É o caso do Blur, que acaba de lançar o seu The Best of. Um CD que resume um pouco a promiscuidade sonora que foi a trilha destes já findos anos 90.
Coloque o disco para tocar e se depare com There’s no other way e She is so high. Rock dançante com forte inspiração no Stone Roses – a grande banda inglesa da virada 80/90. O hino ao hedonismo Girls and boys é tecnopop (há quanto tempo você não escuta essa expressão???) deslavadamente comercial, bem ao estilo dos Pet Shop Boys e inevitável em festinhas modernas ou não desde que foi lançada há seis anos.
Parklife, com forte sotaque 60 (leia-se Beatles), é o melhor exemplo de como os ingleses sabem tirar sarro de si mesmos com muita classe. Beetlebum e Song 2 revisitam o rock americano dos anos 90 com maestria. A segunda, no quesito xerox, teve um acabamento tão perfeito que até foi usada como trilha de abertura para jogos de futebol nos Estados Unidos. Tudo isso graças à deliciosa onomatopéia que é o seu refrão.
Tender é pura soul music, toda Aretha Franklin da época da Atlantic, com o ‘oh my baby, oh my baby’ do refrão dizendo mais sobre a triste condição humana do que 10 viagens ao psicólogo. No distance left to run é mais contida, sua letra detalha os pormenores de uma separação amorosa: “Não vou me matar para ficar na sua vida” – indispensável é ver o clipe, dirigido por Thomes Vittenberg, um dos idealizadores do Dogma 95.
Como sempre acontece em coletâneas, há uma faixa inédita. Music is my radar é longa, pede remix, a voz de Damon está tão nítida como se fosse ouvida em uma rádio FM mal sintonizada, só ganha o ouvinte lá pela décima audição e tão boa que dá uma certa pena por que é apenas uma inédita. Ah, quem decidir comprar o The Best of Blur é melhor desembolsar um pouco mais e ficar com a versão importada do disco, com um CD ao vivo, registrando o mais recente show do grupo.