Vítimas estavam nus sobre a cama. Apesar de não haver pistas que levem aos assassinos, vizinhos acreditam que os homens chegaram à residência numa moto. Segundo a polícia, em frente a casa havia marcas de pneus
Um casal foi morto dentro de casa ontem de madrugada, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, enquanto mantinha relações sexuais. O artesão José Bezerra dos Santos, 25 anos, e a dona de casa Gilvana Maria do Nascimento, 24, estavam nus, sobre a cama, quando receberam vários disparos, por volta de 1h30. A polícia ainda não tem pistas dos assassinos, possivelmente um motoqueiro. Agentes da delegacia de Prazeres observaram marcas de pneus de moto na frente da casa, localizada na Rua Mococa, s/n, Jardim Progresso, em Curcuranas. Vizinhos das vítimas também teriam ouvido barulho de moto.
A mãe de Gilvana, a empregada doméstica Josefa Joana do Nascimento, também não tem idéia de quem possa ter matado o casal. Segundo ela, eles estariam vivendo juntos há cerca de 15 dias, mas já eram namorados há muito tempo. Josefa, no entanto, revelou que sua filha era viciada em drogas desde os 16 anos. “Dava muito conselho a ela para deixar esse vício, mas não adiantou”, disse Josefa, enquanto liberava o corpo da filha ontem pela manhã, no Instituto de Medicina Legal (IML).
De acordo com sua mãe, Gilvana cursou até a 4ª série e só conseguia empregos temporários. Seu pai morreu quando ela ainda era criança e a mãe, junto com outros dois filhos, vivia com o padastro de Gilvana, também em Jaboatão dos Gauararapes. Josefa não conhecia o namorado da filha, que a visitou pela última vez antes do Natal.
O irmão do artesão, o operador de máquinas Francisco Bezerra dos Santos, garante que José não tinha inimigos ou envolvimento com drogas. “Não sei o que pode ter levado alguém a matá-lo”, declarou. O operador de máquinas conta que seu irmão confeccionava bonecos de barro. Segundo ele, José vendia o artesanato a turistas nas praias de Boa Viagem e de Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco. “Ele também era surfista e costumava acampar em Maracaípe”, conta Francisco.
O operador de máquinas diz que o irmão costumava ir freqüentemente à casa da mãe. “Ele era muito chegado à família e nunca se envolveu em crimes”, garante Francisco. Mesmo assim, Francisco e seu pai sequer sabiam onde José estava morando e que vivia na companhia de Gilvana. “Já havia visto os dois juntos, mas não sabia que tinham casado”, diz ele. Francisco contou que o irmão tinha se mudado há cerca de 15 dias.
A família recebeu a notícia da morte do casal pela manhã, através do rádio. Josefa Joana soube do crime pelos vizinhos. Os dois foram enterrados ontem, no Cemitério Santo Estêvão, em Ponte dos Carvalhos.