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RETROSPECTIVA 2000
Chuvas matam 32 e arrasam cidades

Em 2000 choveu mais do que o dobro do ano anterior. No período mais crítico, de junho a setembro, a Codecipe registrou 31 mortes. No início de dezembro, um garoto morreu soterrado

Depois de dois anos de estiagem, as chuvas voltaram com força total a Pernambuco. Ao mesmo tempo que livraram a população do maior racionamento de água da história e amenizaram a seca no Sertão, os temporais que caíram durante o ano 2000 deixaram um rastro de destruição e morte e expuseram o drama da falta de infra-estrutura das cidades.

De junho a setembro, quando ocorreram as mais fortes chuvas, a Codecipe registrou 31 mortes e 107.554 pessoas desabrigadas. Já no início de dezembro, um garoto de 14 anos morreu soterrado por uma barreira que deslizou em Águas Compridas, Olinda.

O Grande Recife já começou o ano embaixo d’água. Na primeira semana de 2000, o Inmet registrou a maior precipitação no mês de janeiro em 30 anos. Quinze famílias tiveram suas casas destruídas pela força das águas ou soterradas por barreiras. Era o prenúncio do ano que estava por vir.

Choveu praticamente todos os meses. Mas o pior período foi de 31 de julho a 10 de agosto quando a região metropolitana, a Zona da Mata e o Agreste foram inundados por chuvas torrenciais. Municípios da Mata Sul ficaram arrasados. Palmares virou símbolo da tragédia, com casas submersas na lama e milhares de desabrigados.

A tragédia trouxe o presidente da República a Pernambuco. Ele viu os estragos e prometeu recursos que vieram a conta-gotas. O lado bom foi que Tapacurá e os demais reservatórios do Grande Recife jorraram, amenizando o racionamento.

Em 2000, choveu mais do que o dobro do registrado em 1999: 3.603,2 milímetros de precipitações pluviométricas contra 1.479,2 milímetros no ano anterior. A média anual no Recife é de 2.447,6 milímetros.

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Jornal do Commercio
Recife - 31.12.2000
Domingo