Estudo de mestrado de Arquitetura da UFPE revela que o traçado original do sistema que liga o Recife a Olinda deve ser atualizado para atender melhor os motoristas
Criado em meados da década de 70 para interligar as cidades do Recife e Olinda, o Complexo Viário de Salgadinho é hoje uma das áreas mais cobiçadas da região metropolitana. O que antes era apenas um lugar de passagem, agora desponta como uma “centralidade” na avaliação da arquiteta Vitória Andrade, mestranda em Desenvolvimento Urbano da Universidade Federal de Pernambuco. “No entanto, o sistema viário passou a ser um empecilho para a integração das atividades que ele mesmo ajudou a criar”, observa.
Como exemplo, ela cita a dificuldade que as pessoas encontram para se deslocar do Centro de Convenções para o Shopping Center Tacaruna e deste para o Play Center, apesar de estarem todos relativamente próximos. Pela distância entre os prédios, o percurso a pé é complicado e, além disso, atravessar uma via de alta velocidade não é seguro para o pedestre; o número de passarelas é pequeno; e os retornos são longos para os os motoristas.
“O desenho do sistema de vias, de 25 anos atrás, não atende mais as necessidades atuais e precisa ser redesenhado para se adequar à nova realidade. Há um conflito entre o antigo traçado e os novos usos que estão se instalando no local”, afirma Vitória Andrade. Ela define o Complexo de Salgadinho como “um espaço pleno de conflitos, com atividades diversificadas mas complementares, porém espacialmente segregadas”.
Vitória pesquisou a evolução urbana do Complexo de Salgadinho com a arquiteta Maísa Veloso, doutora em urbanismo pela Universidade de Sorbonne (Paris). O trabalho foi apresentado na 6ª Conferência Internacional do Comitê para Documentação e Conservação da Arquitetura e do Urbanismo do Movimento Moderno (Docomomo), realizada recentemente em Brasília.
Segundo a arquiteta Vitória Andrade, o projeto do Complexo Viário de Salgadinho obedecia à lógica das High Ways, as grandes avenidas que começaram a ser construídas na Europa nas décadas de 50 e 60 deste século. “É um tipo de sistema viário que cria ilhas espaciais entre as vias expressas. Esses espaços viraram objetos de cobiça imobiliária e contribuíram para o crescimento da região”.
O primeiro empreendimento a ser construído foi o Centro de Convenções, atraindo pessoas, veículos e novos negócios para o lugar. Depois, vieram empresas prestadoras de serviços, motel, Play Center e o Shopping Tacaruna. Inaugurado em 1997, o shopping é a menor edificação, mas é a que atrai mais pessoas. Uma casa de espetáculos está em construção e o Governo do Estado pretende transformar a antiga Fábrica da Tacaruna num centro de cultura.
Por se tratar da entrada do Sítio Histórico de Olinda, boa parte da área é considerada non aedificandi por lei. “O sistema viário foi projetado para não ter ocupações no entorno, uma vez que os equipamentos se instalaram, é preciso resolver os conflitos”, completa Vitória Andrade.