Tecnologia superou barreiras e já pode transformar previsões feitas por Stanley Kubrick em equipamentos do cotidiano
por Verônica Falcão
O século 21 soava distante quando o diretor Stanley Kubrick lançou, em 1968, 2001: Uma Odisséia no Espaço. O ano futurista parece que chegou tão rápido quanto a velocidade da luz, mas nem tudo o que o cineasta previu já é uma realidade.
Algumas conquistas, como chegada do homem à Lua, aconteceram logo no ano seguinte. Outras, a exemplo do aeroporto interplanetário, ainda estão por vir. Mas uma coisa é certa: nada do que está retratado no filme pode ser considerado impossível.
“Temos tecnologia, seja em desenvolvimento ou cientificamente prevista, para construir quase tudo o que foi imaginado”, diz o físico Anderson Gomes, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que assistiu ao filme a pedido do Jornal do Commercio.
HAL, o supercomputador de bordo que se torna a estrela do filme, é um dos equipamentos que ainda está longe de sair da ficção científica para o mundo real. Todas as suas funções, do reconhecimento da voz à própria fala, no entanto, são tecnologicamente viáveis, na opinião de Anderson Gomes.
SUPERCOMPUTADOR – Esperto, o computador da série 9000 mil da IBM, no filme é capaz de fazer a leitura labial, experimentar sentimentos como rejeição e rancor e até matar. No final, a máquina não consegue superar o homem e acaba sendo desligada. Ao seu fracasso se atribui a razão pela qual a IBM – fabricante de computadores – teria recusado ceder seu nome para o processador. “O IBM 9000 acabou se chamando HAL 9000, resultado da composição das letras anteriores às da IBM no alfabeto”, conta Gomes. Ou seja, “h” vem antes de “i”; “a”, antes de “b”; e “l”, antes de “m”.
Outro item eletrônico mostrado no filme e que, surpreendentemente, pode ser comprado na banca de revista é o cartão telefônico magnético. “Naquela época, os telefones públicos eram movidos a moedas”, lembra Anderson Gomes. O do aeroporto interplanetário de 2001: Uma Odisséia no Espaço tem até um speekerphone.
SPEEKERPHONE – Nele, o doutor Heywood R. Floyd (William Sylvester), conversa com sua filha na Terra enquanto a observa, através de uma tela, brincando na sala. Enviado à Lua para elaborar um relatório sobre um monolito descoberto por cientistas que moram no satélite, doutor Floyd, como qualquer pai de hoje, pede desculpas à menina por não poder estar com ela no dia de seu aniversário e lhe promete uma boneca.
Quando chega à Lua, sua voz é a própria senha para o acesso à base. Uma espécie de porteiro eletrônico reconhece o cientista e permite sua entrada. Enquanto ele conversa sobre o monolito, que é o grande enigma do filme, uma missão comandada por HAL tenta chegar a Júpiter. Hoje, sequer Marte recebeu uma missão tripulada.
No caminho, um dos astronautas tenta consertar um erro eminente detectado por HAL fora da nave sem nenhum tipo de cordão umbilical. Esses consertos são comuns no espaço atualmente, mas todos os astronautas permanecem ligados, seja por meio de uma mangueira de ar ou um cabo de segurança, à espaçonave.
“Provavelmente, no futuro, os astronautas também poderão se deslocar dessa forma, por meio de um motor de propulsão”, arrisca Anderson Gomes.
ESTAÇÃO ESPACIAL – Aeroportos interplanetários, se vierem a existir, também deverão ser como o de 2001: Uma Odisséia no Espaço, que desempenha uma movimento circular o tempo todo, para simular a gravidade. Por enquanto, o que existe no espaço nesse gênero é a Estação Espacial Internacional, que no momento abriga a sua primeira tripulação, composta por três astronautas: dois russos e um norte-americano.
A estação espacial se encontra em órbita, estando muito mais próxima da Terra do que um aeroporto interplanetário, e apenas os ônibus espaciais podem “atracar” nela.