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ODISSÉIA 2001 II Filme leva à reflexão sobre o homem diante do universo
por Kleber Mendonça Filho
2001: Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, foi, e permanece, uma obra especial lançada numa época especial. Talvez seja um equívoco ler o filme como uma “previsão” de como seria a vida no ano 2001, mas sim como uma reflexão sobre o posicionamento físico e espiritual do homem diante do universo. É compreensível que a atenção para com detalhes técnicos e científicos do filme convide a reflexões sobre “previsões” feitas nos anos 60 sobre como seria a vida hoje.
A tal “época especial” (1968) realmente antecedeu em um ano a chegada do homem à Lua. Era a época da corrida espacial, alimentada pelo orgulho político da Guerra Fria. O público foi capaz de ver uma simulação realista do que significa estar em órbita e entender que o espaço é silencioso (fato ignorado por épicos espaciais como Guerra nas Estrelas, em nome de uma certa “emoção”).
Se a corrida espacial tivesse continuado a todo vapor (perdeu muito do seu gás político após a conquista da Lua), é possível que tivéssemos vôos comerciais à Lua. No filme, esses vôos são operados pela Pan Am – falida no final dos anos 80. Dentro do veículo espacial, passageiros têm monitores individuais, hoje uma realidade em algumas das mais modernas aeronaves.
Quando o assunto é 2001, um aspecto primordial é a inteligência artificial, no filme representada pelo computador HAL 9000. Ele tem um papel de suma importância na missão e talvez reflita a presença desses processadores nas nossas vidas. Em 2001, o computador mimetiza a presença quase mística da mente humana, algo que hoje ainda parece coisa de ficção científica. Computadores ainda não passam de máquinas graficamente sofisticadas, mas máquinas e isso nunca esteve tão claro.
Um aspecto relacionado ao uso da informática que 2001 acertou em cheio é o hoje útil e desesperador “ctrl + alt + del”. Resume o desespero de quem é deixado na mão por um computador, no filme representado pelo quase macabro “reboot” de HAL, depois que ele “trava” durante a sua missão. Talvez tenha sido aí que o filme, para um olhar moderno, ganhe ressonância extra ao traduzir a utilidade, o perigo e a ameaça de uma sociedade que precisa demais de máquinas que pensam.
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