O Museu do Sertão, em Petrolina, aumentou a quantidade de vistantes com uma campanha educativa. O de Santa Maria da Boa Vista foi inaugurado há um ano, num prédio histórico, e vem atraindo até turista
por EMANUEL ANDRADE
Especial para o JC
PETROLINA - Os museus não chegam a ser uma novidade nas cidades sertanejas, mas só agora estão virando atrativo cultural. Petrolina e Santa Maria da Boa Vista estão no roteiro dos melhores do Interior, os quais resgatam não só as histórias dessas cidades como também ajudam a explicar a formação sócio-política, cultural e econômica do País. Para citar alguns exemplos, vale lembrar o Cangaço, a implantação da ferrovia Leste-Brasileira e as navegações no rio São Francisco no século passado.
O Museu do Sertão, em Petrolina, tem mais de 3 mil peças que relatam a rotina do sertanejo e fatos de quando a cidade ainda era chamada de Passagem do Juazeiro. Há uma série de fotos raras que mostram o bando de Lampião. O visitante pode ver, ainda, a casa sertaneja, o salão de artes populares e a ambientação regionalista. “Trabalhamos com didática e linguagem modernas. Isso vem sendo aprimorado, para que cada pessoa entenda melhor nossa história”, explica o supervisor Alzir Maia.
Segundo ele, há cinco anos 70% da comunidade de Petrolina não conheciam o museu. No entanto, vem sendo feita uma campanha de incentivo à visitação. Hoje, a média de público é de 2 mil pessoas ao mês, número que cresce de acordo com o fluxo de turistas. Uma das visitantes é a estudante Ana Cláudia Bastos, 17 anos. “A vantagem é que podemos apreciar documentos originais”, disse ela. O Museu do Sertão foi criado em outubro de 1973 e dispõe de peças raras como a Bíblia escrita à mão por jovens da Igreja Adventista do Sétimo Dia em 1977. Há também elementos da fauna e flora.
CORIPÓS - Às margens do São Francisco, num espaçoso prédio em Santa Maria da Boa Vista, está o Museu Coripós, inaugurado no ano passado. O bonito prédio, da antiga cadeia pública, em si, já atrai o visitante. O pátio é outro atrativo por causa das espécies de plantas nativas. O acervo conta com cerca de 200 peças, a maioria documentos do povoamento que deu origem à cidade. Um dos destaques do arquivo são as peças ligadas à história de Itaparica, com fotos resgatando a inundação do São Francisco. O nome Coripós foi colocado em homenagem a uma antiga tribo indígena.
SALGUEIRO - Nem todos os museus do interior passam por boa fase. O Levino Nunes de Alencar, em Salgueiro, está fechado há quase três anos. Inaugurado no final da década de 80, tinha mais de 200 peças entre objetos, documentos originais e maquinários antigos. Quando estava funcionando, tinha um vasto documentário fotográfico. Ainda se encontram “encaixotados”, instrumentos musicais da extinta Filarmônica do Salgueiro, móveis rústicos da zona rural, além de peças como uma carta escrita por Padre Cícero. A secretária de Educação do município, Idílvia Brito Sampaio, disse que o museu foi fechado porque as instalações apresentaram problemas que poderiam comprometer o acervo.