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CUSTO DO DINHEIRO
Juros caem em ‘câmera lenta’

Queda da taxa Selic afetou pouco os juros ao consumidor. Apenas as instituições oficiais fazem reduções expressivas nas operações de crédito

por Isabela Barros

Ainda não dá para sentir tanto no bolso, mas a redução da taxa de juros básica (selic), de 16,5% para 15,75%, pelo Banco Central (BC), já repercute na diminuição das taxas cobradas pelos bancos em diferentes operações. No comércio, os possíveis impactos da medida não devem ser sentidos a curto prazo, permanecendo a média de 7% de juros ao mês entre as financeiras e empresas de cartões de crédito.

No exterior, o banco central norte-americano, o Federal Reserve (FED) também baixou as taxas de juros para continuar estimulando o crescimento da economia. No Banco do Brasil, a diminuição das taxas de juros para o cheque especial, cartão de crédito e crédito direto ao consumidor foi comunicada um dia depois do anúncio do Banco Central.

Segundo informações do BB, os percentuais para cheque especial de pessoa física que antes variavam entre 2,1% e 7,79% hoje estão na faixa de 2,05% e 7,74%. Entre as modalidades de crédito pessoal, o cheque veículo (para financiamento na compra de carro) passou de 2,4% para 2,3%.

Já na Caixa Econômica Federal (CEF), que também optou por seguir a redução definida pelo BC, os juros foram diminuídos nas oito linhas de crédito para pessoa física e cheque especial.

No caso do cheque especial, os percentuais da CEF passaram de 8,2% ao mês para 7,7%. Os empréstimos sob consignação através do Convênio Caixa do Trabalhador foram reduzidos de 3% para 2,8%. Da mesma forma que no Banco do Brasil, as mudanças nos percentuais da CEF foram anunciadas dois dias depois da decisão do BC.

COMÉRCIO – Também usando a oferta de juros mais baixos como estratégia de mercado, a rede de hipermercados Carrefour praticaram juros de 1,59% para todos os tipos de produtos entre os dias 7 e 24 de dezembro. Com o término da promoção, as taxas voltaram a ser de 3,9%.

Para 2001, o Carrefour estuda a possibilidade de novas ações na linha de redução dos juros aos consumidores.

De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife (CDL) Eduardo Catão, a diminuição das taxas só deve apresentar efeitos reais no comércio depois de janeiro. “Até lá deve ser mantida a variação observada hoje, entre 6,5% e 7%, podendo chegar a 10% com algumas financeiras. Essas medidas não repercutem tão rapidamente assim no comércio”, argumenta.

Segundo o professor do Departamento de Economia da UFPE Roberto Ferreira, a maior procura pelo crediário a juros baixos pode deixar o comércio com receio de aumento nas taxas de inadimplência. “Nessas situações devem ser priorizadas as “promoções” que já trazem os juros embutidos nos preços. A redução dos juros propriamente dita só deve chegar ao comércio a médio prazo, o que poderia acontecer daqui a pelo menos seis meses”, avalia.

De acordo com Ferreira, a diminuição das taxas de juros é realidade também na cena internacional. “No caso dos Estados Unidos, por exemplo, já houve necessidade de elevar as taxas de juros para evitar que houvesse inflação. Agora, o momento é de estimular a produção e os investimentos num contexto em que os níveis de consumo vêm sendo muito elevados nos últimos oito anos, daí a redução das taxas de juros”, analisa.

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Jornal do Commercio
Recife - 31.12.2000
Domingo