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O QUE NOS ESPERA
2001 chegará com boas perspectivas

Indicadores da economia brasileira apontam para um ano de desempenho superior a 2000, mas cenário internacional pode frustrar o otimismo

por ANGELA FERNANDA BELFORT

As perspectivas da economia para 2001 são de crescimento na opinião de empresários, economistas e até relatórios de instituições bancárias que citam estimativas de índices que devem ser registrados neste novo ano, o qual se inicia amanhã. Essa onda de otimismo reflete que a estagnação deixou de ocorrer lá fora e também a volta da estabilidade econômica para vários países os quais encontram-se em desenvolvimento.

Para 2001, os indicadores internos indicam uma projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4%, queda de juros e também uma inflação mais baixa. Esses três fatores juntos resultam no aumento da atividade econômica, mais emprego e também na estabilização da moeda.

“Caso não aconteça qualquer crise internacional, essas expectativas positivas vão se concretizar no próximo ano”, comentou o economista Herôdoto Moreira, da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

O economista afirmou que “por enquanto não há previsão de crise no cenário internacional”, mas existem algumas inquietações dentro desse quadro. Para 2001, a previsão é de que a economia norte-americana cresça 2%, o que significa a metade do que estava previsto em 2000.

A desaceleração da economia norte-americana traz reflexos para o Brasil, que ainda tem transações comerciais e financeiras muito fortes com aquele país. “Um desaquecimento forte da economia dos Estados Unidos pode puxar uma recessão mundial”, comentou Moreira, acrescentando que não acredita que isso vá acontecer. Existem sinalizações de que ocorra uma queda dos juros americanos em janeiro para que essa desaceleração seja mais branda.

Outro componente que pode atrapalhar as perspectivas positivas da economia brasileira seria o aumento no preço do barril de petróleo. No último um ano e meio, esse mineral teve o seu preço triplicado. “Como o Brasil é um tradicional importador do produto, essa alta poderia puxar a inflação para cima”, explicou Moreira.

CRESCIMENTO – “Estão criados vários fundamentos macro-econômicos para que seja criado um novo ciclo econômico para o Brasil”, destacou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Armando Monteiro Neto, se referindo aos números positivos do ano 2000. Nos primeiros 10 meses do Real, a indústria brasileira apresentou um crescimento de 6%.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Pernambuco, Jorge Corte Real também acredita que 2001 será melhor do que 2000. “O Governo do Estado deve efetivar a contratação de várias obras em 2001”, falou. O setor apresentou um crescimento de 4% este ano em Pernambuco.

Outro fator que deve deixar mais dinheiro circulando em Pernambuco é o aumento do salário mínimo que vai ocorrer a partir de abril. Também deve trazer um impacto positivo na economia a entrada de empresas para explorarem o sistema da banda C de telefonia móvel. Além dos recursos que elas pagarão à União para obterem a concessão, devem realizar investimentos para iniciar o seu funcionamento.

“A expansão desse tipo de telefonia vai garantir uma expansão para o setor que fabrica bens de capital (máquinas, por exemplo)”, falou o empresário José Heimer, diretor da Leon Heimer, que produz grupos geradores, motores a diesel e marítimos.

Segundo ele, as expectativas também eram muito positivas no ano passado “e só começamos a sentir o reaquecimento da economia a partir de outubro”. O setor de bens de capital é o último a sentir o reaquecimento da economia, porque fábrica produtos que,na maioria das vezes, são consumidos pelos agentes produtivos.

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Jornal do Commercio
Recife - 31.12.2000
Domingo