Empresas pernambucanas esperam conquistar a maior parte dos R$ 174 milhões que a ex-estatal investirá em obras e serviços
por LEONARDO SPINELLI
Os empresários pernambucanos estão de olho nos R$ 174 milhões de investimentos em obras e serviços que a Celpe anunciou para o ano de 2001. Isso representa 40% a mais de investimento, em comparação aos R$ 105 milhões empregados em 2000. O primeiro passo para tentar garantir uma parcela desta verba foi dado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), que também incorporou, nas conversas com a Celpe, os interesses do setor de metal-mecânica, segmento que abrange várias fornecedoras da empresa energética.
A preocupação com as verbas iniciaram depois de surgir no meio empresarial a informação de que a Celpe estava selando consórcios com determinadas empresas prestadoras de serviço, em detrimento das tomadas de preço.
A atitude, fecharia, assim, uma preciosa parcela para o mercado. Tudo foi desmentido pela empresa, porém a desconfiança foi instalada no meio, gerando iniciativas como a do Sinduscon.
“Houve realmente preocupação em alguns setores. No entanto, a Celpe não vai abrir mão das licitações e não apenas vai manter os contratos com as empresas prestadoras de serviço tradicionais, como vai ampliá-los. Em 2001, pretendemos criar três mil empregos diretos com esses serviços”, disse o diretor de Gestão de Ativos da Celpe, Reive Barros dos Santos.
Segundo Santos, a energética tem entrado com a parte de engenharia em seus projetos e realiza serviços e manutenção de equipamentos com mão-de-obra terceirizada.
A empresa Hot Line, que faz manutenção de linhas energizadas de postes, confirma que não houve nenhuma mudança, por parte da Celpe, no tratamento com a firma. Porém, o engenheiro responsável pela Hot Line, Richard Silva, não esconde um ar de desconfiança. “Há muita reforma acontecendo por dentro da Celpe, desde sua privatização. Porém não atingiu a Hot Line, não sentimos nada por enquanto. De qualquer forma, a tendência natural do mercado hoje é a terceirização. Portanto, acredito que não haverá um retrocesso”, afirmou.
PRIORIDADE – O presidente do Sinduscon, Jorge Corte Real, afirma que a iniciativa é uma tentativa de abrir o diálogo com a Celpe, no sentido de favorecer a indústria pernambucana.
“Estamos conscientes de que a Celpe não é mais estatal. Mas como uma empresa pernambucana, vamos tentar garantir alguma prioridade na parte de serviços e instalação”, diZ Jorge Corte Real.
Segundo Corte Real, ao dar prioridade ao mercado local, a Celpe estaria movimentando a economia e, naturalmente, aumentando o consumo de energia. O Sindicato já manteve um contato com a empresa, considerado “bom”. De acordo com Reive Santos, a energética tem interesse em manter um bom relacionamento com as entidades de classe, ”como o Sinduscon, Assimpra e Sindusgesso”. “Os construtores, por exemplo, nos procuraram para saber quais os investimentos para o ano que vem. Nos prontificamos em estabelecer reuniões periódicas e, assim, mantermos todas as informações em dia”, assegurou o diretor.
Santos conta que na primeira reunião, os empresários ficaram a par de algumas necessidades da Celpe para o ano 2001. “Dissemos a eles que vamos precisar de bastante serviços na área de infra-estrutura elétrica. Queremos que eles se preparem para este nicho de mercado.”