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Novo milênio Pelo calendário gregoriano, criado pelo Papa Gregório XII nos fins do século XVI, estamos no vestíbulo do 3º Milênio. O primeiro milênio teve a metade mergulhado na Idade Média, para alguns historiadores situada entre os séculos V e XV, período em que se consolidou o Cristianismo, a mais poderosa religião ocidental e que se tornou uma das quatro com maior número de adeptos no mundo. Foi, como é sabido, o milênio da decadência do Império Romano Ocidental, cujo colapso é atribuído à invasão de 500 mil bárbaros, a partir do século V, mas já se vinha fazendo sentir durante um longo período de intensas migrações que começaram no século III depois de Cristo. Bárbaros que, repartindo a Europa entre si, compensaram a fragmentação da cultura greco-romana com a adoção da religião dos povos conquistados, o Cristianismo, elemento prodigioso de coesão e homogeneização social. Para isso, alguns dos invasores, como os germanos, tiveram que abandonar seu politeísmo. A expansão árabe sobre a Europa, a partir do século VIII, representou quase oito séculos de presença na Península Ibérica. Apesar de sempre abafada pelo eurocentrismo dos historiadores, foi enorme sua importância nas áreas da matemática, da física, da astronomia e da química. Essa influência também deixou marcas na arquitetura da Espanha e Portugal - por extensão, do Brasil, com destaque para Olinda - e na literatura, concorrendo, no milênio seguinte, para a eclosão do movimento trovadoresco. E com as histórias das mil e uma noites. Os árabes deram também um grande exemplo de tolerância cultural, respeitando as crenças e os costumes dos povos por eles dominados. Já no século XV, a descoberta da imprensa veio revolucionar a comunicação entre os homens. E o milênio terminou ficando conhecido como o da expansão européia, com a descoberta da América, o segundo maior continente (depois da Ásia). Mas foi também um período de guerras demoradas, como a dos Cem Anos (1337-1453) e a dos Trinta Anos (1618-1648). E, sobretudo, das duas grandes guerras mundiais: a primeira (1914-1918), na qual houve 10 milhões de mortos e 30 milhões de feridos, e a segunda (1939-1945), na qual morreram 55 milhões de pessoas e outras 35 milhões ficaram feridas. No campo da saúde, o milênio conheceu a peste negra (1347-1350), que matou um terço da população européia, e várias outras epidemias localizadas nos vários continentes. Mas terminou com progressos extraordinários, chegando-se à descoberta da vacina, bem como a cura da tuberculose e de outras doenças de massa, culminando tudo com as técnicas dos transplantes de órgãos. Tempos, também, dos vôos espaciais e de rede mundial de computadores. A hecatombe nuclear paira ainda como uma ameaça, mas não se apelou mais para o desastre total, depois das duas tristes experiências sobre cidades japonesas. No tocante à
religiosidade, houve na segunda metade deste último
século do segundo milênio uma explosão de seitas
religiosas no Ocidente. Elas estão sendo disseminadas
rapidamente, com o auxílio da televisão (outra
maravilha do Século XX),invadindo principalmente as
áreas do mundo onde os níveis de escolaridade são
baixos. Mas, talvez, preparando uma retomada moral que
venha contrabalançar a liberação quase total dos
instintos. |
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