Coordenador da campanha de Luciano Bivar, o ex-dirigente foi convidado para voltar a trabalhar com futebol, mas diz que ficou decepcionado com o que já passou nos seis anos de Federação
por WLADMIR PAULINO
Parece até ironia, mas um dos maiores responsáveis pela vitória de Luciano Bivar na eleição rubro-negra não quer mais saber de futebol. Sílvio Alexandre Guimarães, 53 anos, conversou, articulou, desorientou manobras da oposição e até bateu – e levou também – para chegar à vitória. Mas foi só isso, o canto de cisne não o seduziu. Bola rolando mesmo só pela televisão, já que nem ao estádio vai mais.
Para quem não conhece a história desse médico, o parágrafo anterior pode até soar estranho, mas Sílvio Guimarães foi vice-presidente da Federação Pernambucana de Futebol entre 89 e 95 e não traz boas lembranças da saída, já tendo Carlos Alberto Oliveira no comando – primeiro, foi vice de Fred Oliveira.
“Carlos Alberto dizia que a Federação não poderia ter dois presidentes, que eu era o reizinho”, conta. Uma tarde, Fred Oliveira e Josemir Correia – na época 2º vice da FPF – foram à casa de Guimarães fazendo um apelo para que ele deixasse a entidade. Indignado, o então dirigente entrou em contato com várias pessoas ligadas a Carlos Alberto para saber o que estava acontecendo.
“Me informei e descobri que era verdade mesmo”, diz. Só que ao invés de renunciar, Sílvio Guimarães pediu licença até hoje e nunca mais pisou no Palácio Rubem Moreira e nem pisará, enquanto o atual presidente estiver no comando. “Eu me dava bem com Carlos Alberto, hoje somos inimigos. Me senti traído”, afirma.
O ex-dirigente compara o que o futebol deu a ele com um malfadado relacionamento amoroso. “É como se você arrumasse uma namorada, casasse, constituísse família, tivesse seus filhos e depois ela o abandonasse”. Ele até ganhou uma oportunidade no ano passado, quando o presidente rubro-negro, Luciano Bivar o chamou para ser representante do clube na Federação, mas a inimizade com Carlos Alberto e o medo de prejudicar o time de coração o fizeram recusar.
“Além de não querer atrapalhar o Sport, fiz um pacto com minha família de que não voltaria mais ao futebol. Entrei nesse meio para fazer amigos, mas existe muita traição. Hoje não quero mais ser nem presidente da Liga de Dominó da Jaqueira”, frisa.
ELEIÇÃO – No que diz respeito à eleição leonina, Sílvio Guimarães também se diz magoado com Wanderson Lacerda. O motivo foram as acusações, por parte da chapa de oposição, de que o coordenador da campanha de Bivar estava fabricando sócios-fantasmas para reeleger o presidente. “Minha relação com Wanderson ficou bastante machucada. As calúnias que sofri me machucaram muito e pelo simples fato de eu ter achado que o outro candidato era melhor”, conta.
O grupo encabeçado por Wanderson também recebe de Guimarães as mesmas críticas feitas por Luciano Bivar: de que não são rubro-negros autênticos. A afirmação diz respeito ao ex-vice de futebol, José Antônio Alves de Melo, que confirmou, numa reunião do Conselho, ter sido diretor social do Náutico. “O grupo que o apóia não é de rubro-negros. Até Roberto Massa (ex-presidente do Sport), que votou nele foi diretor de caça e pesca do Náutico”, acusa.
Quanto ao grupo de Luciano Bivar, Sílvio Guimarães agradece a todos que trabalharam no que ele chamou de ‘Campanha do amor’. “Fizeram de tudo para atrapalhar, mas o empenho de todos foi comovente. Quiseram empurrar sócios-atletas até no dia dia da eleição, mas em 34 dias conseguimos virar uma eleição que estava praticamente perdida”, ressalta.