As proteínas de certos alimentos, segundo pesquisas de médicos e nutricionistas norte-americanos, podem proporcionar mais energia e juventude ao homem
por Antônio Marinho
Agência Globo
Prazer, energia, força, juventude: tudo isto depende do cardápio diário. Os cientistas que desvendaram o código genético da espécie humana partem agora para a segunda parte do genoma – a decifração do poder das proteínas.
Os cientistas começam a compor a dieta da energia e da juventude para o próximo milênio. São os chamados “alimentos inteligentes”, tema do livro O cérebro milagroso (Campus), de Jean Carper, uma das mais conhecidas especialistas em nutrição dos Estados Unidos, que se tornou popular como consultora de qualidade de alimentos e analista de dietas da rede americana CNN.
Segundo Carper, a segunda parte do genoma é mais importante que a primeira. “Além de revolucionar a medicina com as terapias genéticas, o segundo genoma vai enfatizar a influência da dieta diária na qualidade e na expectativa de vida, em função das proteínas e aminoácidos”, diz.
Carper alerta que é um mito acreditar que nascemos com um cérebro de tamanho e potencial geneticamente determinados e que nada do que se fizer altera sua capacidade e funcionamento. “O cérebro é um órgão em crescimento e mudança. Sua vitalidade depende da nutrição. Quem quiser viver mais e melhor precisa mudar sua alimentação, de acordo com a nova neurociência nutricional. Isto inclui desde os alimentos que uma gestante deve ingerir para otimizar o potencial genético de inteligência de seu bebê até a dieta de uma pessoa idosa para recuperar a memória”, diz Carper.
CONTEÚDO – A dieta da energia mental inclui, pelo menos três vezes por semana, porções generosas de salmão, acompanhadas por grãos integrais. Nos outros dias, bifes de soja, carne de fígado de boi e, eventualmente, gemas de ovo. Saladas verdes devem conter brócolis, alface e espinafre.
Para beber, sucos cítricos, sobretudo o de laranja, desde que fresco. E não se pense que doces estariam cortados desta dieta. Não! Mas não devem ser feitos com açúcar refinado e sim com mel ou com o açúcar natural das frutas doces. E os cientistas ainda recomendam boas doses semanais de chocolate, que está em alta nas pesquisas nutricionais!
A carne do salmão, além de baixo teor de colesterol, tem uma combinação preciosa: é rica em vitamina E e numa substância chamada ômega-3, também encontrada em certos óleos. A vitamina E protege os neurônios nas reações químicas que levam ao envelhecimento.
“Assim como há genes bons e genes maus, há gorduras boas e más. É importante aumentar o consumo de óleos que contêm ômega-3. São estes os óleos de ‘gordura boa’. Os mais ricos são os óleos de girassol, de milho, de gergelim, de amendoim, de oliva, de linhaça, de semente de abóbora, além de germe de trigo, canola, soja e nozes. Há ômega-3 também na truta, na sardinha e no atum, fontes de vitamina E, que protege os neurônios”, diz Carper.
VILÕES – Os maiores inimigos da mente já foram identificados: o açúcar e o álcool. Quem decidiu abusar do champagne para celebrar o milênio deve pensar duas vezes.
“Costumávamos pensar que o ser humano perdia células cerebrais todos os dias, em todas as partes do cérebro. Não é bem assim. Com o envelhecimento ocorre uma perda, que não é tão radical e, nas áreas fundamentais como o córtex, centro da memória e do raciocínio, é mínima”, diz Marilyn Albert, da Escola de Medicina de Harvard.
No National Institute of Aging, nos Estados Unidos, o pesquisador Stanley Rapoport usou tomografias para estudar o cérebro de pessoas de 20 a 93 anos e mostrou que com a idade o cérebro perde em média 10% de massa.
Num outro estudo, com 330 pessoas saudáveis entre 65 e 95 anos, Edward Coffey, do Departamento de Psiquiatria do Henry Ford Health System, de Detroit, revelou que o cérebro dos homens encolhe mais rapidamente que o das mulheres, mas isto não significa maior declínio cognitivo.
O pior efeito do envelhecimento não é a redução do cérebro e sim o ataque dos radicais livres aos neurônios. Como combatê-los? Com uma dieta inteligente!