Projeto de R$ 33 milhões atrai a atenção de empresas de destaque como Microsoft, Siemens e BCP e coloca Pernambuco na rota das iniciativas promissoras em Tecnologia da Informação
Você se lembra do bug do milênio? Não fique surpreso se lhe parecer uma realidade distante. Num ano em que a área de Informática passou por uma série de lançamentos, polêmicas, ajustes e redefinições, a vitória sobre a catástrofe que ameaçava os computadores de todo o mundo na virada do ano passado, tornou-se um mero detalhe. Ultrapassado o primeiro desafio, o setor chega à última semana de 2000 com um balanço bastante positivo sobre os acontecimentos do período, além, é claro, de apresentar uma série de novos projetos a se concretizarem no ano vindouro.
Em Pernambuco, especialmente, não faltam motivos para comemorações. Um dos ícones principais dos avanços em Tecnologia da Informação no Estado e também no País, o projeto do Porto Digital, lançado em 21 de julho, conseguiu zarpar conforme o esperado, representando a síntese do esforço de centros de pesquisa, empresas e Governo para promover a economia digital.
Para o diretor do Centro de Informática da UFPE e presidente do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Sílvio Meira, o Porto Digital foi a iniciativa mais significativa do setor de Informática no País este ano. “O projeto é uma das poucas ações realmente inovadoras feitas em 2000, que está chamando a atenção de todo o Brasil, pela capacidade de articulação e possibilidade de servir como modelo para outros lugares do País ou do mundo”, defende.
Com recursos de R$ 33 milhões, provenientes da privatização da Celpe, o Porto Digital já apresenta resultados em diversos aspectos.
FINANCIAMENTO – De acordo com o secretário de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado, Cláudio Marinho, em primeiro lugar, o governo conseguiu aprovar os projetos de lei referentes aos fundos de capital de risco e de capital humano, bem como regulamentar o fundo de aval, iniciando ainda negociações com o Banco do Nordeste (BN) e o Banco Interamericano (BID) para financiar projetos de empresas que irão se instalar no ITBC.
Outra conquista importante para o Estado foi o lançamento da Rede Pernambuco Digital, prevista para entrar em operação no dia 7 de janeiro, levando o desenvolvimento e a inclusão digital ao interior, através da conexão de todos os municípios pernambucanos à Internet.
Como nem tudo são flores, o Porto Digital também enfrentou problemas, principalmente em relação a atrasos em obras, por questões técnicas ou burocráticas. “Estou 70% satisfeito com o que alcançamos. Se este ano foi de decolagem, o próximo será de concretizações”, afirma Claúdio Marinho.
No que diz respeito ao quesito percepção de mercado, o secretário acredita que o Porto Digital excedeu as expectativas, tanto em relação à aceitação que obteve na sociedade em geral como quanto à tomada de decisão pelas empresas, que viram surgir um novo ambiente de negócios competitivo a ser explorado. Casos exemplares dessa adesão são os da Microsoft, BCP, Sonae, Siemens, operadoras de telecomunicações (Telemar, Embratel, Intelig e Vésper) e condomínio Multibuy, que já confirmaram presença no Porto Digital.
Representativa dessa visibilidade do projeto também é a parceria firmada com a empresa International Data Corporation (IDC), que vai ministrar workshops para empresários instalados no Bairro do Recife. “É um acordo simbolicamente importante, uma vez que parte da renda gerada com as inscrições para os seminários será destinada a projetos sociais na comunidade do Pilar, o que demonstra a nossa preocupação em promover a inclusão da população carente na nova economia”, avalia Marinho.
No âmbito internacional, além de alianças com empresários portugueses e ingleses, o Porto Digital acabou de assinar um acordo de cooperação com as Nações Unidas e a United Nation Industrial Development Organization (Unido), que prevê a instalação, no Bairro do Recife, do primeiro escritório de Promoção de Investimento e Tecnologia (ITPO) da Unido na América Latina.
Entre outras vantagens, a aliança vai possibilitar um intercâmbio de especialistas e experiências entre Pernambuco e Rússia, que tem por meta unir competências para buscar mercados de terceiros. “Queremos ter o aporte de tecnologia da rede da ONU e, por outro lado, transformar-nos no caminho de entrada e saída de produtos e serviços para a América Latina e África”, revela Cláudio Marinho.