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TERAPIA ONLINE
Divã virtual ajuda, mas não é solução

Dor de cotovelo, depressão, medo de enfrentar os desafios da vida, solidão? Não há problema que a Web não se aventure a resolver. Depois dos chats, um alento para os solitários, a Internet agora oferece recurso mais sofisticado: a terapia online. São páginas e mais páginas de versões virtuais da terapia e psicologia tradicionais a técnicas tidas como alternativas, como a Terapia Floral. Embora venham ganhando força no ciberespaço, esses serviços não são reconhecidos pelo Conselho Federal de Psicologia e têm causado muita polêmica.

Um dos principais pontos de divergência entre terapeutas virtuais e reais é quanto à eficácia. Enquanto os primeiros argumentam que a ida ao ciberespaço é inevitável, devido à sua importância nas relações sociais, os últimos ‘fincam pé’ no mundo real, garantindo que ainda é cedo para o atendimento online. “Não há estudos suficientes para embasar uma prática terapêutica continuada pela Internet”, explica a psicóloga Elisa Sayeg, coordenadora do Grupo de Trabalho de Psicologia e Informática do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo.

Segundo Elisa, uma resolução recente do conselho federal da categoria determinou que a prática terapêutica online só é válida para serviços pontuais, em caráter experimental. “Não é terapia, mas orientação psicológica, ou seja, o psicoterapeuta disponibiliza seus conhecimentos na Internet para tirar dúvidas ou prestar esclarecimentos”, explica. “Mas não há um vínculo entre esses profissionais e os pacientes, que nem precisam se identificar”. A resolução do conselho permite que os psicólogos cobrem por esse serviço, desde que devidamente cadastrado e autorizado pela entidade federal.

COBRANÇA – A cobrança, aliás, é outro ponto polêmico. Alheios às novas regras criadas pelo conselho, os terapeutas que já transferiram os divãs para o ciberespaço adotaram uma metodologia que inclui o cadastro de pacientes para as ‘primeiras consultas’ (o que pressupõe continuidade) e a cobrança. Ou seja, dão um caráter institucional a uma prática que deveria ser apenas experimental. Os valores variam de R$ 30 a R$ 50. Também varia a forma como a consulta acontece: em grupo, individual, em chats ou através da troca de e-mails.

A impessoalidade não preocupa os terapeutas virtuais. “Algumas pessoas conseguem se expressar melhor escrevendo. E é essa impessoalidade que move alguns a contar os problemas”, afirma a terapeuta Del Loomies, que oferece, desde 1998, consultas virtuais e textos de “edificação espiritual”. A decisão de cobrar foi tomada para se proteger dos desocupados. “Perdi tempo tentando ajudar personagens fictícios. Isso era ultrajante”, lembra.

Já a terapeuta floral Norma Christina Eder, que tem um site há cinco meses, aposta na gratuidade. “Se eles mentem, fazem mal a eles e não a mim”, afirma. Norma prepara fórmulas de florais e fornece orientações para ajudar a vencer os problemas. “O objetivo é poder humanizar a psicologia, fazer com que ela saia das quatro paredes dos consultórios e atinja uma quantidade maior de pessoas que não podem ter acesso a esse tipo de tratamento, seja porque não têm condições de pagar, ou porque o serviço nem está disponível em sua cidade”.

A psicóloga virtual Mirian Cruvinel também acredita que a terapia online tem o poder de desinibir algumas pessoas que jamais teriam coragem de procurar ajuda em um consultório psicológico, mas admite que existem limitações. “Nem todo tipo de patologia pode ser tratada via Internet. Existem casos de problemas emocionais graves e crônicos que exigem um tratamento mais estreito e, quando detectamos isso no ciberespaço, o cliente é orientado a procurar serviços especializados”.

REGULAMENTAÇÃO – Se depender do Conselho Federal de Psicologia, no entanto, a profusão de sites terapêuticos tem os dias contados. “Está sendo criada uma comissão só para avaliar as páginas que estão no ar e projetos de novos sites”, diz Elisa Sayeg. O grupo vai avaliar se os serviços são válidos e se obedecem ao código de ética do conselho .

“Os sites que obedecerem a todas as regras ganharão um selo do conselho para atestar sua qualidade. Enquanto a regulamentação não vem, a orientação da psicóloga é que os internautas pensem duas vezes antes de apelar para a Web na hora do desespero. “Se não está regulamentado, é melhor não usar o serviço de terapia online”, opina. (B.C.)

Serviço

www.gracetherapy.cbj.net
www.geocities.com/consulta_online
www.montealegredosul.com.br/terapiafloral

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Jornal do Commercio
Recife - 27.12.2000
Quarta-feira