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NO PÉ DA CONVERSA
Lenivaldo Aragão

A vingança do Rei

Rivalidade no futebol é capaz de criar situações extremas, pois torcedor, para ver o rival na pior, topa tudo, mesmo as coisas mais inconcebíveis. Em 1989, na véspera de o Sport decidir a primeira Copa do Brasil com o Grêmio, em Porto Alegre, eu estava na redação do jornal Zero Hora, juntamente com o hoje editor de Fotografia do JC, Jarbas Júnior, quando fui advertido de que no dia seguinte, sairia um comentário de um cronista metendo o pau no time pernambucano. Ao contrário do que se poderia pensar, o tal jornalista não era nenhum gremista, mas um torcedor do Internacional, que tratava de ferir os brios da equipe rubro-negra, a fim de que a mesma procurasse se superar na decisão com o Grêmio, que terminou sendo campeão ao derrotar o Sport por 2x1.

1973, em Natal, conta Maeterlinck Rêgo Mendes, em seu Na Boca do Túnel, o Santos chegou à capital potiguar para enfrentar o América, pelo Campeonato Brasileiro, numa fase que não era das melhores. O América, por sua vez, estava empolgado, depois de uma vitória de 2 x 1 sobre o Clube do Remo, obtida em Belém. O time potiguar encontrava-se invicto e pretendia manter esse rótulo por mais algum tempo, mesmo que tivesse que enfrentar o time de Clodoaldo, Pelé, Edu e outras feras. O Santos havia jogado em Fortaleza e pegou, na capital cearense, o mesmo vôo que levava a delegação do América de volta a Natal. Ou seja, os dois times começaram a se encarar já nas alturas.

O Santos não queria perder a chance de reabilitar-se no Brasileirão e evitava dar bolas ao azar. Tanto que alunos de jornalismo potiguares procuraram Pelé para que o Rei participasse de um programa esportivo e a resposta foi negativa. Pelé alegou que estava concentrado para a partida e não podia sair do hotel.

A atitude de Pelé era uma desfeita, pelo menos para um grupo de torcedores, que no dia do jogo postou-se na frente do Hotel Reis Magos, agitando a bandeira do América e destilando toda a sua indignação pela recusa do Rei.

O protesto da torcida potiguar irritou profundamente Pelé, que dentro de campo deu vazão a toda a sua ‘fúria’, mostrando que não tinha ido a Natal para receber chacotas de torcedores. Ninguém conseguiu segurar o camisa 10 do Santos, que fez questão de ficar no gramado até o fim do jogo, balançando a rede três vezes, contribuindo direta e avassaladoramente para a vitória de 6 x 1 da equipe santista. Com isso, foi para a cucuia a invencibilidade pela qual o América tanto zelava. O Rei estava vingado.

Depois descobriu-se que o grupo do protesto na frente do hotel, era constituído de torcedores do ABC, o eterno rival do América. O objetivo era açular a fera e jogá-la em cima do velho ‘inimigo’. Deu certo.

O fora de Mendonção

O deputado federal José Mendonça estava empolgado no seu discurso de posse à presidência do Santa Cruz, terça-feira passada. Muita gente presente, inclusive figurões da política, como o vice-presidente Marco Maciel. Auditório atento, Mendonção convidou a certa altura, para tomar assento à mesa, o técnico Ricardo Rocha, o “nosso xerife”, apontando para a porta de entrada do salão. Todos dirigiram seu olhar para um jovem cidadão, bem apessoado, 1,82 metro de altura, parecido com Ricardo,, mas sem sê-lo. Mendonção levou na esportiva e provocou risos de todos ao perceber o fora. Era o conselheiro Mário Ricardo Santos de Lima, dono de uma empresa de transportes, Setran, e presidente da Associação Comercial de Igarassu, Itapissuma e Itamaracá. Acima, o sósia de Ricardo Rocha (E) e o próprio. O leitor que faça a dedução.

Varejo 1

Na posse de Mendonção, o vice-presidente da República,Marco Maciel, fez um discurso entusiasmado, do qual pinçamos estas frases: “Eu sou tricolor porque está no meu DNA”; “Tinha gente que trazia dinheiro, mas tinha gente que trazia tijolo” (sobre a construção do estádio); “A política que se pratica aqui é a política do Santa Cruz.” ***** Na véspera de assumir a presidência do Santa, Mendonção foi almoçar no Stefano, de Boa Viagem, com Mirinda. Lá, encontrou seu ex-concorrente, José Alberto Lisboa, que aniversariava. Deu-lhe, de presente, para passar, dois talões da rifa do Mercedes.

Varejo 2

No final de mais uma temporada, resta-me agradecer a todos aos que me prestigiaram durante o ano, desejando mil felicidades a todos, e retribuindo os votos de Boas Festas a mim dirigidos. ***** Na festa dos Campos (Wílson, Carlos Wílson e André), dois rubro-negros de peso, Jarbas Guimarães e Aluísio Morais, em meio a uma imensidão de alvirrubros. Clubismo à parte, eles foram prestigiar seus amigos. ***** No dia 1º de janeiro de 56, faz, portanto, 45 anos amanhã, o Ano Novo era relegado no Recife. Sport e Náutico iniciavam a série que daria o título de campeão de 55 ao Sport.


Jornal do Commercio
Recife - 31.12.2000
Domingo