Partido evoluiu e mostrou maturidade, inclusive nas alianças, que levaram João Paulo à vitória e ampliaram a força do PT em todo o País
por SÉRGIO MONTENEGRO FILHO
Às vésperas de completar 21 anos de fundação, o PT obteve, em 2000, seu melhor desempenho nas urnas em todo o País, exibindo um grau de maturidade que chegou a surpreender quem estava acostumado com as eternas divergências internas vividas pelo partido ao longo de sua história. No Recife não foi diferente. As brigas internas deram lugar à unidade em torno da candidatura de João Paulo, e o resultado foi uma vitória histórica, depois de quatro tentativas frustradas de chegar à Prefeitura, que começaram em 1985.
Naquele ano, o PT lançou a candidatura do empresário Bruno Maranhão, e amargou um resultado insignificante em uma disputa polarizada entre Jarbas Vasconcelos e Sérgio Murilo. Desde então, e apesar das sucessivas derrotas majoritárias, o PT marcaria presença no cenário político do Estado. Visto inicialmente como um partido de idéias radicais e dedicado exclusivamente à defesa intransigente dos interesses dos trabalhadores, hoje o PT não conta apenas com a simpatia do operariado. A votação obtida por João Paulo mostrou, entre outros aspectos, a boa penetração do partido junto à classe média e aos chamados formadores de opinião.
A participação dos petistas nas disputas eleitorais em Pernambuco começou em 1982, ainda durante o regime militar, com o lançamento da candidatura do líder camponês Manoel da Conceição ao Governo do Estado, tendo Bruno Maranhão como companheiro de chapa na vaga de senador. O resultado foi ínfimo: apenas 1% dos votos. Mas era o começo de uma trilha que dezoito anos depois renderia seu primeiro fruto, com a eleição de João Paulo.
O INÍCIO – O PT pernambucano foi fundado oficialmente em 31 de março de 1980, em um encontro realizado no Colégio Marista, que aprovou a primeira comissão provisória estadual. Os integrantes eram João Roberto Peixe, Humberto Costa, Paulo Rubem Santiago, Antônio Carlos Rios, Israel César de Melo, Paulo Amâncio dos Santos e Otacílio Nunes de Melo. Em maio de 1980, o PT contava com menos de 500 filiados em Pernambuco, divididos em núcleos de bairro e de categorias profissionais. Vinte anos depois, são mais de 30 mil filiados.
O primeiro grande comício do PT foi realizado em 27 de junho de 80, no largo de Santo Amaro, com a presença dos líderes nacionais, como Lula, Eduardo Suplicy e José Dirceu. “Pessoas de outros partidos diziam que Santo Amaro era muito amplo e não conseguiriamos fazer número. Nós reunimos cerca de dez mil pessoas”, conta Peixe.
UTOPIA – O líder operário João Paulo de Lima e Silva também se filiou ao PT no início dos anos 80. Mas por 12 anos permaneceu como militante, dedicando mais atenção ao Sindicato dos Metalúrgicos, que liderava. Em 1983, ajudou a fundar a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Estado e foi o primeiro presidente da entidade, estritamente ligada ao PT. Somente em 1992, eleito deputado, João Paulo decidiu participar da direção do PT, assumindo a presidência.
“A fundação do PT era a realização de uma utopia, uma mística, de construir a participação democrática das massas e de romper com a tese do partido único e do centralismo democrático.”, diz João Paulo. Ele lembra que o PT, na época, era visto da mesma forma que o movimento sindical, que liderava. “Faziam uma imagem nossa de uma coisa raivosa, sectária. Hoje rompemos com essa imagem e construímos uma história, tanto no PT como no movimento sindical”, conclui.