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NOVOS PREFEITOS II
Petistas enfrentaram resistências dentro da própria esquerda

Primeiro presidente estadual da legenda, o designer e futuro secretário municipal de Cultura, João Roberto Peixe, lembra as dificuldades iniciais vividas pelos petistas. Além de enfrentarem a ‘linha dura’ dos órgãos de repressão, os militantes que aderiram ao PT no início dos anos 80 – principalmente trabalhadores do campo – sofreram retaliações dos proprietários de terras, que se já não aprovavam os partidos de esquerda, viam com mais preocupação uma sigla voltada para os trabalhadores.

Mas, por ironia, o PT teve que enfrentar outro tipo de resistência para se firmar. A própria esquerda – que na época do bipartidarismo estava toda agrupada no MDB – acusava o novo partido de “divisionista”. No início, o PT foi recebido com antipatia por seus ‘semelhantes’, quer fossem marxistas, trotskistas, revolucionários ou apenas políticos de centro-esquerda.

“O PT tinha uma visão conceitual de esquerda. Nós questionávamos o ortodoxismo dos partidos comunistas e adotávamos uma linha independente e moderna. Por mais que explicássemos que continuávamos aliados à luta contra a ditadura e a opressão, éramos acusados pelos demais partidos de trabalhar contra a unidade das esquerdas”, lembra Peixe, que foi um dos delegados do PT pernambucano ao encontro de São Paulo que fundou o partido.

O presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire – dirigente do antigo PCB – e o atual presidente do PCdoB, Luciano Siqueira, vice-prefeito eleito na chapa de João Paulo, admitem que houve um clima de acirramento no MDB. Principalmente porque os PCs estavam na ilegalidade, enquanto o PT recebia permissão para funcionar. Segundo ambos, o Governo – mais precisamente o poderoso ministro Golbery do Couto e Silva – “facilitou” o surgimento do PT e de outros partidos de esquerda. Uma manobra para dividir a oposição. “Golbery estimulou o divisionismo”, diz Freire.

Luciano Siqueira afirma que os petistas estão “carregando nas tintas” ao acusar os comunistas de reagirem à fundação do partido. “Eles nos chamavam para integrar o PT, argumentando que seria o novo partido do proletariado e que no MDB havia trabalhadores, mas também patrões. Nós refutávamos que o MDB não era um partido, mas uma frente, e lembrávamos que um partido não pode representar o proletariado apenas pelos seus quadros, mas pela interpretação do mundo, da política, com base no marxismo. O PT era eclético demais e isolacionista. Hoje, amadureceu, venceu uma eleição porque começou a ver os demais partidos de esquerda como aliados”, justifica.

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Jornal do Commercio
Recife - 31.12.2000
Domingo