O Partido dos Trabalhadores foi fundado nacionalmente em 10 de fevereiro de 1980, em uma reunião no Colégio Sion, em São Paulo. Antes disso, porém, já existia um movimento – posteriormente batizado de Movimento pró-PT – intitulado apenas como “113”. Os integrantes desse grupo foram os idealizadores do partido, formado sobre três pilares distintos. O primeiro, e mais atuante, foi o Movimento Sindical, cujo centro era o ABC paulista, mas que congregava representantes de vários outros pólos. Esse núcleo era liderado, entre outros, por Lula (metalúrgicos), Jacó Bittar (petroleiros) e Olívio Dutra (bancários).
O segundo pilar reunia a chamada “esquerda crítica”, desvinculada do pensamento ortodoxo dos partidos comunistas. Era, a princípio, um grupo eclético, que incluia militantes de várias correntes que se incorporaram ao partido, formando as ‘tendências’ que existem até hoje no PT. A terceira base da legenda tinha uma atuação política mais discreta. Era a Igreja Progressista, que tinha como expoentes o Frei Beto e Leonardo Boff, e estimulava a formação das conhecidas comunidades eclesiais de base, núcleos populares do pensamento progressista.
A reunião que oficializou o PT foi presidida por Jacó Bittar – que dez anos depois deixaria o partido sob fortes atritos com a direção nacional. Nesse encontro, já apareceram as primeiras divergências internas, que marcariam a imagem do partido ao longo desses 20 anos.
Foi preciso vencer algumas barreiras, como a divergência de concepções entre sindicalistas e intelectuais, desconfianças mútuas entre militantes das diversas correntes de esquerda e uma série de ‘preconceitos’ que dividiam os núcleos do PT (intelectuais, operários, estudantes, camponeses, parlamentares, entre outros).
“Muita gente do povo achava que partido era coisa de bacana, de quem tem dinheiro, dos donos do poder. Pensava que só poderia participar como massa de manobra. Isso mudou no Brasil com o PT”, explica Lula, hoje presidente de honra do partido.
Segundo Lula, a partir do surgimento do PT, os trabalhadores passaram a fazer política com autonomia. “Criamos uma alternativa concreta de cidadania para milhões de trabalhadores. Muitas vezes me pergunto o que seria do País sem o PT”, completa.