Os bonecos, fruto da imaginação de artistas artesãos, fazem uma releitura de situações do cotidiano do povo nordestino
Turistas de vários países já passaram pelas ruas estreitas do Amparo, em Olinda, e aproveitaram para conhecer o Museu do Mamulengo – Espaço Tiridá, onde estão Quitérias, Simãos, coisas-feias, papa-figos, figuras assustadas, entre tantos outros bonecos, personagens do mundo imaginário dos mamulengueiros nordestinos.
Primeiro museu de bonecos do Brasil, a casa de número 59 da Rua do Amparo foi criada para informar, divulgar e conservar a memória do mamulengo. Para isso, dispõe de um acervo de 1.200 peças, feitas por diversos mestres de diferentes cidades, a maioria do interior.
Os bonecos, fruto da imaginação de artistas artesãos, fazem uma releitura de situações do cotidiano de uma gente simples, que não domina as letras, incluindo aí o próprio artista. Dono de uma capacidade plástica surpreendente e de uma criatividade idem, o mamulengueiro exagera nas cores e expressões, artifícios que dão o toque certo de dramaticidade, comicidade e tragicidade – o trio indispensável das histórias encenadas.
Soldado, padre, homem e mulher formam o quarteto dos personagens do mundo ‘normal’ retratado no quadrado (o palco do teatro de bonecos). O degolado, a coisa-feia, o assustado respondem pelo outro lado da moeda: o do fantástico. Esses, aliás, cativam de imediato o olhar do visitante.
Proteu e Assustado são bons exemplos da imaginação fantástica de uma dupla de artistas artesãos. O primeiro, de autoria de Solon, mamulengueiro de Carpina, comprova a tese de Jung do inconsciente coletivo. O segundo, talhado por José Justiniano ou Mestre Dengoso, como também é conhecido, é, de fato, assustador. A besta-fera que o artista imaginou ao esculpir o rosto do boneco é realmente amedrontadora, pois a cara do boneco é de puro medo. Mestre Dengoso, vale ressaltar, é um dos poucos mamulengueiros recifenses e mora na favela Chão de Estrelas, no Arruda.
Infelizmente, o Museu do Mamulengo – como os outros – não dispõe de monitor bilíngüe. Apesar disso, o lugar é visitado com freqüência por turistas de diferentes países. A sorte deles é um folder, atraente aos olhos e informativo o bastante para dar uma idéia básica do que é o lugar, e, mais importante, o que é o mamulengo e, conseqüentemente, o mamulengueiro.
Serviço:
Museu do Mamulengo – Espaço Tiridá - Rua do Amparo, 59, Olinda. Fone: 3429.3710 - Horário: terça a sexta, das 9h às 17h; sábados e domingos, das 11h às 17h - Preço: R$ 1, crianças grátis.