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MUSEUS DE RECIFE E OLINDA IV
Dê um tempo no profano e visite o Maspe

Se você não é familiarizado com Olinda, provavelmente não sabe que o Alto da Sé, além da feirinha, abriga um museu. Tal desconhecimento não é de se estranhar. Afinal, fica difícil de identificar o que aquele casarão branco do século 16, situado bem em frente as barracas, de fato é, pois não existe nenhum tipo de placa indicando que, ali, funciona o Museu de Arte Sacra de Pernambuco (Maspe).

O antigo Palácio dos Bispos guarda exemplares de arte sacra dos séculos 17, 18 e 19. Quem é católico ou simplesmente aprecia esse tipo de arte vai gostar de conhecer as obras que se encontram no Maspe. De proporções modestas, o acervo inclui algumas imagens esculpidas por artesãos; oratórios e sacrários; santos barrocos; presépios e lapinhas; passagens da Via Sacra feita por artistas populares daqui e de cidades vizinhas, e pinturas cuzquenhas. Essas últimas são de propriedades do marchand e artista plástico ‘ítalo-nordestino’ Giuseppe Baccaro.

Entre as obras emprestadas por Baccaro à instituição, destaca-se um Cristo vestindo uma indumentária que cobre parcialmente sua nudez. O vestuário, lembrando uma anágua, foi acrescentado à obra, datada do século 16, por ordem dos inquisidores que passaram pelas terras sul-americanas. As obras cuzquenhas, vale ressaltar, eram pintadas a várias mãos: as dos artistas (trazidos pelos jesuítas da caravana espanhola) e as dos índios.

Um Cristo de marfim, pregado na cruz, com características indo-européias, é outra peça que merece ser observada com atenção. Crê-se que ele tenha vindo da ex-colônia portuguesa Macau, situada na China. A razão está não só nos traços do seu rosto, mas também na base em ferro – muito bem trabalhada – que sustenta a cruz.

Passeando pelas salas do Maspe, o visitante fica sabendo que os artistas, autores das peças, somente passaram a assinar suas obras a partir do século 19, por exemplo. Outro detalhe interessante é notar a diferença de estilos de escultura. Uma imagem de Nossa Senhora do Ó e Santa Escolástica, do século 17, feitas de terracota, exibem linhas retas e nenhuma idéia de movimento. O que é amplamente explorado pelos artistas barrocos, que elaboraram figuras inclinadas, com roupas acompanhando seus movimentos.

Na sala destinada aos presépios e à Via Sacra, sobressaem alguns trabalhos de autoria popular. Na primeira categoria, a artesã Ana Pamplona caprichou nas cores e formas na hora de retratar o nascimento de Jesus. O trabalho é curioso e alegre. Pamplona foge da linha horizontal, optando por desenvolver sua aptidão artística no sentido oposto. As esculturas em barro e madeira que tratam dos últimos momentos da vida de Jesus Cristo revelam a criatividade de Galdino, de Caruaru; Mestre Saúba, de Carpina; e Wandecock, de Tracunhaém, entre outros.

Serviço:

Museu de Arte Sacra de Pernambuco - Rua Bispo Coutinho, 726 - Sé, Olinda. F. 3429.0032. Horários: terça à sexta, de 9h às 13h. Preço: R$ 1, adultos e R$ 0,50, crianças e idosos

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Jornal do Commercio
Recife - 28.12.2000
Quinta-feira