Não há projetos capazes de tornar os museus lugares atraentes, que acompanhem os conceitos atuais de exibição de arte
Se você é um turista mais desligado, daqueles que não fazem o ‘dever de casa’ antes de viajar – deixando de lado livros ou revistas que falam sobre o lugar escolhido para as férias –, terá problemas caso deseje visitar algum museu da cidade.
Como foi dito antes, folders não existem, a não ser os dos museus do Mamulengo ou os do Homem do Nordeste. Caso esses existissem, a situação não mudaria muito, pois certos hotéis impõem condições para ceder alguns centímetros de balcão, para a divulgação dos mesmos. Esquecem que museu é cultura e que a variedade de oferta só beneficia a rede hoteleira, já que os hóspedes passariam mais dias nos hotéis.
“O Museu do Homem do Nordeste poderia ter uma freqüência maior de turistas se houvesse uma divulgação mais eficiente. Para que isso aconteça, é preciso que os hotéis também incluam esse serviço, reservando um pequeno espaço para a divulgação dos museus da cidade”, comenta Célia Regina Guimarães, da instituição da Fundação Gilberto Freyre.
Enquanto esse dia não chega, Célia Regina e outra companheira de trabalho, Maria Suassuna, resolveram criar um outro tipo de estratégia. Em parceria com o Grupo Pontes, elas idealizaram um tour cultural por Casa Forte e redondezas para os recepcionistas dos hotéis da rede. No roteiro, o Museu do Homem do Nordeste e a Oficina Francisco Brennand são as principais atrações. “Assim, se algum turista pedir informações sobre o que visitar, eles saberão fazê-lo com conhecimento de causa”, diz Célia.
Nessa campanha por mais visitantes, os museus ligados ao governo estão perdendo, com exceção do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam). Pelo menos, no quesito turista. Eles implantaram uma taxa de visitação simbólica (R$ 1, adulto e R$ 0,50, criança e maiores de 65 anos), mas esqueceram-se de implementar melhorias, como climatizar o Museu do Estado, por exemplo.
Além de verbas, é preciso uma lufada de idéias novas e de uma reestruturação completa de alguns espaços. O acervo de alguns deles é vasto, como informa o texto de apresentação, mas boa parte das peças não está em exposição. E o que está parece perdido, sem o seu real valor cultural realçado.
A falta de uma política dirigida para o setor não acontece por acaso. A cultura, como se sabe, não é prioridade para as autoridades de países de Terceiro Mundo. Não é de se espantar, portanto, a ausência de projetos capazes de tornar os museus lugares atraentes para o grande público, que acompanhem os conceitos atuais de exibição de arte adotados nos mais importantes museus do mundo. (L.M.)