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O PT NA PREFEITURA II
Petistas são maioria no secretariado do Recife

POR AYRTON MACIEL

Uma maioria petista, com uma pitada forte de influência arraesista e um espaço bem generoso para os pós-comunistas. Esse é o perfil do secretariado do primeiro prefeito do PT no Recife, João Paulo, o primeiro também do século 21 e do terceiro milênio da Era Cristã. Um prefeito com a missão de dar ao Recife uma ‘face mais humana’, perdida com o empobrecimento e o embrutecimento da sociedade brasileira. A aparente ‘salada partidária’ tem a responsabilidade de dar o suporte político às ações do prefeito, na medida em que houve o reconhecimento da importância da cada legenda para a vitória eleitoral na Capital.

Como o planejamento é a palavra-chave para a administração pública de hoje, João Paulo chamou para o cargo o primeiro nome a ser lembrado para o seu Governo, desde a declaração de sua vitória: a economista, professora universitária e ex-secretária da Fazenda de Pernambuco, no último Governo Arraes, Tânia Bacelar, filiada ao PSB. Para duas Pastas consideradas como a ‘face’ social do modo petista de governar, a Educação e a Saúde, o prefeito escolheu dois petistas: o ex-deputado federal, vereador mais votado do Recife e médico-psiquiatra, Humberto Costa, na Saúde; e a ex-secretária de Educação, nas duas gestões de Jarbas Vasconcelos na PCR, Edla Soares.

A fatia petista do ‘bolo’ administrativo, porém, é bem maior. Na secretaria mais política e mais próxima de João Paulo, a de Governo, o prefeito empossa Múcio Magalhães, um militante petista desde a UFRPE, formado em Veterinária, amigo e assessor de gabinete do deputado, em dois mandatos na Assembléia Legislativa. Um outro amigo e assessor de gabinete, e igualmente petista, João Costa, assume a Pasta mais visionária da cidade: a do Orçamento Participativo e Gestã Cidadã. É a do canal do diálogo com as comunidades e da interferência popular na definição da aplicação dos recursos.

Um advogado sindical conceituado, professor de Direito do Trabalho da UFPE e filiado ao PT, Maurício Rands, ocupa a Secretaria de Assustos Jurídicos, com as missões, além das de praxe, de recuperar dívidas fiscais ajuizadas, visando a aumentar a arrecadação do município, e a de levar às comunidades programas de desenvolvimento da cidadania. Um outro petista de ‘carteirinha’, ex-presidente do Condepe, no último Governo Arraes, e engenheiro da Chesf José Ailton de Lima, será o responsável pela parte visível da cidade, a que primeiro vem à vista. É ele quem ocupará a Secretaria de Serviços Públicos, a que cuida da ‘vitrine’ do Recife.

Em São Paulo, o novo prefeito foi buscar um experiente técnico, que há 12 anos atua em governos do PT, e que foi diretor de abastecimento da Companhia de Águas e Esgotos de Brasília, na gestão de Cristóvam Buarque: o engenheiro civil, especialista em saúde pública, Antônio Miranda. Cabe a ele tocar as obras do Governo de João Paulo nas áreas de Habitação e Saneamento. Mais dois petistas foram chamados a dar a sua contribuição direta ao Governo: o designer João Roberto Peixe, que, inicialmente, assume a Fundação de Cultura do Recife, e o economista Reginaldo Muniz que ocupa a Secretaria de Finanças. Peixe, um dos fundadores do PT em Pernambuco, acumulará, depois, a Secretaria de Cultura, Pasta a ser desmembrada de Turismo e Esportes. Muniz foi, durante anos, o coordenador de pesquisas do Dieese, em Pernambuco, e estava coordenando o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade, do Ministério do Desenvolvimento, quando foi convocado por João Paulo.

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Jornal do Commercio
Recife - 01.01.2001
Segunda-feira