LG_jc.gif (3670 bytes)

LITERATURA
Verso e prosa que se espalham pela boca

Produção de cordéis teve apogeu entre os anos 50 e 60

Uma forma de expressão artística essencialmente oral embasada no verso e na prosa. Assim é a literatura popular, que reúne várias manifestações que têm na rima e no ritmo as suas características mais marcantes. Quem nunca declamou os versos da literatura de cordel ou entoou e dançou ao som de maracatu, coco de roda, cavalo marinho, bumba-meu-boi, ciranda, cantorias e pastoril? Todos esses ritmos são manifestações da literatura oral.

“O universo da literatura popular é o universo cultural do povo”, resume a jornalista Maria Alice de Amorim, autora do nono fascículo da coleção Pernambuco Imortal - Série Cultura. Ela pesquisou a importância e influência desta expressão literária em Pernambuco.

O material, encartado amanhã no Jornal do Commercio com o apoio do Governo do Estado, aborda as manifestações mais significativas da literatura popular, que, apesar de rica, ainda sofre um injusto preconceito. “É uma uma pena, pois é uma arte muito complexa, transmitida oralmente através de gerações até ganhar a versão impressa dos cordéis”.

Aliás, tradição histórica é outra forte característica desta expressão artística, que começou em 1500 com a chegada dos portugueses ao Brasil. Na bagagem dos lusitanos, um pouco das suas tradições orais.

“Eram histórias de romances de amor e de cavalaria, além de desafios de jograis, que foram contadas de pai para filho.” Ela conta que também há registros de uma produção literária semelhante ao cordel em outros países da Europa, como Inglaterra, França e Alemanha, mas que a nossa produção literária teve influência direta da Península Ibérica.

No fascículo, algumas curiosidades, como a rica produção dos cordéis em Pernambuco, que teve o seu apogeu entre os anos 50 e 60. Um exemplo da influência deste tipo de literatura na população pode ser registrada por ocasião da morte do presidente Getúlio Vagas, em 1954, quando foi impresso um folheto com 220 mil exemplares. Número superior à soma da tiragem dos jornais diários do Recife na época.

“Quero mostrar no fascículo a beleza da poesia e a forte influência da literatura popular, que não é uma produção anônima, como algumas pessoas insistem em tachá-la”. Pelo contrário, defende Maria Alice, é uma manifestação artística que tem autores que precisam, também, ser reconhecidos.

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 01.10.2001
Segunda-feira