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EXPOSIÇÃO
A faixa I’m a Slave 4 You, do terceiro álbum da cantora, que chega às lojas em novembro, mostra visual renovado

SCHNEIDER CARPEGGIANI

Você até que tem sérias razões para detestar Britney Spears – a massificação nas rádios e na MTV, o puritanismo da sua virgindade enlatada... A lista é imensa. Mas, olhada com certo e necessário distanciamento, a cantora teen até que deu algumas contribuições do bem para a cultura pop. Primeiro, foi o seu single de estréia, Baby, one more time: batida seca, nervosa, cantada com voz de vira-lata no c-i-o, em dramático lamento para que o namorado volte. Adolescentes do mundo inteiro se sentiram representadas com essa canção. A outra foi durante sua performance no VMA do ano passado. Em poucos segundos, ela apagou da nossa memória que, na infância, participou do programa Disney Club, com uma performance digna de um ‘strip-tease club’.

Agora, a cantora volta a colocar mais um item na sua lista de contribuições para nossos órgãos do sentido, com o primeiro single do seu terceiro álbum, Britney, que é lançado em todo mundo na primeira semana de novembro. A faixa I’m a slave 4 you (’Sou uma escrava para você’) mostra que a garotinha, finalmente, cresceu e ganhou corpo (preste atenção nas suas novas fotos de divulgação).

I’m a slave 4 you (já em rotação nas FMs locais) recebeu produção luxuosa e bem funk do excelente grupo de hip hop Neptunes – o mesmo que produziu a, respeitadíssima, cantora Kelis. Esqueça o pancadão churrasco e sem propósito do hit Ooops, I did it again. O material aqui é sofisticado e de fino trato. Aguçando o ouvido, é possível sentir no ar sombras de Prince em puro ‘modelo anos 80’, principalmente de alguns dos seus hinos de procriação e de dependência sexual, como If i was your girlfriend.

Britney desta vez geme, implora, sussurra, enquanto seu vocal aparece se sobrepondo em diversas camadas sonoras - o mesmo recurso que o grupo realizou com Kelis. O refrão é discreto e gruda, só aos poucos, no ouvido. É goma de mascar daquelas que o sabor demora para sair da boca. Na letra, ela pede ao carinha, transformado em puro objeto de fetiche, que esqueça quem ela é, seu nome e o mais importante: sua idade. Não mais uma garotinha, de fato.

A mudança de Britney – pelo menos nessa faixa, que isso fique bem claro – demonstra que a cantora andou percebendo a cruel realidade em torno dos artistas para menores de 18 anos: os fãs adolescentes, mesmo os mais ardorosos, crescem e, em sua maioria, mudam/sofisticam os gostos musicais, na mesma proporção que as espinhas desaparecem do rosto.

Por enquanto, os novos ares não têm agradado aos fãs mais radicais. Nos sites da cantora, eles têm reclamado da falta de ‘gancho’ imediato da canção. Oooops, ela não fez de novo – parece ser essa a reação dos seus seguidores. É aquela velha história: como tudo na vida, é só uma questão de tempo e aprendizado.

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Jornal do Commercio
Recife - 01.10.2001
Segunda-feira