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VIOLÊNCIA
Comerciante mata filha a facadas e é linchado

Crime ocorreu em Nova Descoberta, Recife, dois dias depois de um empresário ter baleado os filhos e se matado em Olinda. O motivo das tragédias teria sido o mesmo: separação do casal

Dois dias depois de o empresário Antônio Soares Fonseca, 41 anos, dono do Supermercado Tropical, ter atirado nos dois filhos e se matado em Olinda, um caso semelhante foi registrado pela polícia, no Córrego da Bica, em Nova Descoberta, Zona Norte do Recife. O comerciante José Márcio Monteiro Dias, 37 anos, matou a facadas a filha Marcela, de 6 anos, e feriu a esposa, a vendedora Edilene Laurinda de Lima, 38. O motivo do crime seria o mesmo da tragédia de Olinda, a separação do casal. Vizinhos revoltados com a barbaridade do fato, invadiram a casa e lincharam o comerciante com pedradas, socos, pontapés e tiros.

Edilene e José estavam morando em casas separadas desde o início de agosto, quando a vendedora resolveu pôr fim ao casamento. Ela se mudou com as filhas para o Córrego da Bica, mas o marido não aceitava a separação. Anteontem, José ligou várias vezes para o trabalho de Edilene e ficou esperando a esposa na casa dela. O comerciante estava armado com uma faca e manteve as duas filhas e a empregada dentro da residência até a esposa chegar.

Eram 17h30 quando Edilene chegou e o que aconteceu a seguir foi uma seqüência de atos bárbaros. José disse à esposa que ia cumprir o que tinha dito, agarrou Marcela pelos cabelos e arrastou-a até o balcão de um bar que fica ao lado da casa da vendedora. Ele golpeou a menina no abdômen e a mulher no braço, no tórax e nas costas.

Assistindo a tudo na rua, dezenas de pessoas correram e conseguiram tirar a criança das mãos do pai e impedir que a mãe fosse morta. José correu para dentro de casa e tentou fugir pela porta da cozinha. No entanto, os vizinhos já tinham cercado a residência. Homens, mulheres e até crianças passaram a atirar paralelepípedos no telhado da casa e um grupo invadiu o local. Dominado na sala, José foi baleado e atingido por pedradas.

Na confusão, dois moradores, V.V.S., 14 anos, e Cristiano dos Santos, 18, foram atingidos por balas, mas passam bem. Até o meio-dia de ontem, o corpo do comerciante, que ficou desfigurado, permanecia no IML. O enterro de Marcela ocorreu na tarde de ontem, no Cemitério de Casa Amarela.

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Jornal do Commercio
Recife - 01.10.2001
Segunda-feira