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ENTREVISTA/Edilene Lima “
“Esse homem era um monstro”

A vendedora Edilene Laurinda de Lima, 38 anos, passou o sábado sendo ameaçada pelo marido José Márcio Monteiro Dias, 37. Quando chegou em casa, foi recebida pela filha Marcela aos prantos. “Ela chegou no portão chorando e disse: ‘Graças a Deus você chegou, mainha. Você é a nossa salvação’”. Separada há um mês e meio, Edilene viu a filha ser esfaqueada e foi ferida tentando salvar a menina. “Ele era um homem mau, um monstro”.

JORNAL DO COMMERCIO – A senhora estava separada do seu marido há um mês e meio. Nesse período, ele vinha ameaçando sua vida e das crianças?

EDILENE DE LIMANa verdade, desde que minha filha menor, que tem três anos, nasceu, o casamento acabou porque Márcio colocou na cabeça que a menina não era filha dele. Há mais ou menos um mês, saí de casa e fui morar com as minhas filhas no Córrego da Bica. Ontem, ele passou o dia me ligando dizendo que não aceitava eu ter me separado e que ia matar a gente. Todo mundo do meu trabalho está de prova que ele ligou dez vezes para lá.

JC – A senhora não acreditou nas ameaças?

EDILENENão tinha o que fazer. Fui para casa e encontrei Marcela no portão chorando. Quando a menina saiu, ele já veio por trás com uma faca na cintura. Disse que ele soltasse as duas e resolvesse comigo, mas ele pegou a mais velha pelos cabelos e foi para a rua esfaqueando ela. Tentei impedir de todo jeito, mas ele veio para cima de mim.

JC – Ninguém ajudou a senhora?

EDILENEOs vizinhos se atravessaram na frente, me pegaram com a menina e socorreram. A empregada fugiu com a minha filha menor no braço e vim parar no hospital. Marcela já chegou morta aqui. Esse homem era mau, um monstro. Já tinha me separado para evitar uma coisa dessas. Eu estava trabalhando, cuidando das minhas filhinhas e ele veio fazer isso. Ele morreu, mas levou a minha vida.

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Jornal do Commercio
Recife - 01.10.2001
Segunda-feira