Paroquianos da igreja das Fronteiras e membros do movimento Igreja Nova participaram do ato, ontem, na Boa Vista. À frente da passeata, uma faixa lembrava a filosofia do arcebispo emérito: “Se queres a paz, preparas a paz”
Vestidos com roupas brancas e segurando bandeiras com a palavra paz escrita em vários idiomas no desenho de uma pomba, paroquianos da igreja das Fronteiras realizaram, ontem, uma caminhada pela paz mundial. A celebração foi organizada pelas Obras de Frei Francisco, entidade criada por colaboradores de Dom Hélder Câmara para dar continuidade a ação pastoral do religioso após sua aposentadoria da Arquidiocese de Olinda e Recife. Sacerdotes e membros da Igreja Nova também apoiaram o evento.
“Dom Hélder teria feito essa celebração se estivesse vivo, ele era um arauto da paz”, afirma a presidente da Obras de Frei Francisco, Maria José Cavalcanti. A caminhada teve início às 10h45 na esquina da Rua Dom Bosco com a Henrique Dias, em direção à igreja das Fronteiras, onde o arcebispo emérito de Olinda e Recife viveu de 1967 até agosto de 1999, quando faleceu aos 90 anos de idade. Logo na frente, uma faixa lembrava a filosofia de vida de Dom Hélder: “Se queres a paz, preparas a paz”.
Cinco garotos da ONG Arraial Intercultural de Circo do Recife (Arricirco) acompanharam a caminhada em cima de pernas-de-pau. Quatro representavam anjos e um, medindo 3,2 metros de altura, a figura da paz. Na igreja, os padres João Pubben (Dois Unidos) e Edwaldo Gomes (Casa Forte) concelebraram uma missa com a temática da paz. “Aquilo que aconteceu nos EUA foi uma violência, mas é uma conseqüência de outras violências que as grandes potências fazem questão de não ver”, declara Padre Edwaldo.
No início da celebração, membros da Igreja Nova depositaram no altar um exemplar da Bíblia escrita em hebraico, outro com a tradução grega desse livro, o evangelho escrito em grego e a Bíblia dos Evangélicos. A iniciativa foi do professor de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco Inácio Strieder. “Queria trazer o Corão, mas não encontrei nenhum exemplar nas livrarias da cidade”, disse o professor.
“O mundo árabe é diferente do nosso e precisa de uma interpretação. Dessa região, onde vive um bilhão de pessoas, só recebemos informações filtradas pelas agências de notícias”, destaca Strieder. Padre Edwaldo reforça que Dom Hélder demonstrava paz com suas palavras, sua vida e seus gestos. “A paz de Dom Hélder não era a paz falaciosa, fruto do medo e da opressão que os grandes países oferecem. Ele buscava a paz pela justiça e pelo amor.” Quando vivo, o arcebispo emérito recebeu 23 prêmios da paz, sendo 22 internacionais e um nacional.