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A Bela da Tarde e outros baratos

por JÚLIO CAVANI

Surrealismo, maconha e comunidades alternativas dão um ar nada conservador à maioria das novidades desta semana.

A Bela da Tarde é o filme mais popular do cineasta espanhol Luís Buñuel e consolidou, como nenhum outro, a imagem da musa Catherine Deneuve. A partir da história de uma mulher casada que passa a trabalhar em um bordel parisiense, o diretor faz uma crítica ao conservadorismo da burguesia e seus desejos reprimidos. O surrealismo (movimento ao qual está associada a obra de Buñuel) se manifesta no filme de forma contida, mas fundamental. O longa está na matinê do Cinema da Fundação.

Quem não conseguiu assistir a Bem Vindos, no Mix Brasil, pode aproveitar a pré-estréia que acontece sábado na Fundação. Dirigido pelo sueco Lukas Moodyson (Amigas de Colégio), o filme mostra as situações vividas por uma mulher que, nos anos 70, foge do marido e vai morar com os filhos em uma inusitada comunidade alternativa na periferia de Estocolmo.

Apenas no Multiplex Recife, O Barato de Grace deve agradar até mesmo aos mais ‘caretas’. Brenda Blethyn (de Segredos e Mentiras) é uma senhora que, para saldar as dívidas do finado marido, passa a plantar e vender a cultuada e proibida erva Cannabis Sativa. Beirando a apologia , esta comédia inglesa fala da maconha de forma saudável e inofensiva.

Velozes e Furiosos estréia no circuito comercial brasileiro após uma surpreendente e bem sucedida carreira nos Estados Unidos. Sem grandes astros, o filme está entre as 10 maiores bilheterias do ano e aparenta ser uma espécie de atualização banal de Juventude Transviada, clássico com James Dean. O atrativo do filme são jovens que fazem manobras mirabolantes com carros.

O Cine-Teatro Apolo traz de volta O Diário de Bridget Jones, para os que não puderam assistí-lo nos multiplex (provavelmente por causa do preço dos ingressos). É uma comédia sobre uma inglesa simpática e aloprada que se dá mal ao procurar o homem de sua vida.

Após uma semana, apenas em Boa Viagem, Amnésia passa a ser exibido também na programação do Tacaruna. Contado ao contrário, sob o ponto de vista de um homem que não consegue memorizar fatos novos, o filme desafia o raciocínio do espectador.

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Jornal do Commercio
Recife - 28.09.2001
Sexta-feira