Na mulher, o problema é difuso e está associado a fatores hereditários, hormonais e ao estresse, mas tem solução. Loções, medicamentos orais, injeções e aplicação de corrente elétrica são algumas das alternativas para prevenir a perda de cabelos
por ANTÔNIO MARINHO
Da Agência Globo
No início, ela passa despercebida. Com o tempo, os sinais da calvície feminina se tornam evidentes no espelho. Ao contrário dos homens, que começam a perder fios na parte frontal da cabeça, na mulher o problema é difuso e está associado a fatores hereditários, hormonais e ao estresse, mas tem solução. Loções, medicamentos orais, injeções e aplicação de corrente elétrica são algumas das alternativas para prevenir a perda de cabelos na mulher.
Segundo a dermatologista Paula Bellotti Azevedo, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a queda de cabelos nas mulheres costuma ser mais acentuada em situações específicas, como pós-parto, amamentação, menopausa, interrupção do uso da pílula anticoncepcional e em casos de depressão, além de estresse.
“Anemia, infecções, carência de ferro, alterações hormonais e dietas rígidas agravam a situação. É preciso fazer exames clínicos e laboratoriais para saber a origem do problema. Um teste útil no diagnóstico é o tricograma, que faz a análise dos fios”, diz.
Ela explica que há dois tipos de calvície feminina mais freqüentes. Uma delas é a alopécia androgenética, de origem hereditária e que produz a perda lenta e gradual de fios a partir da linha que separa o cabelo. Os fios ficam mais finos e menos numerosos.
Outra situação é o eflúvio telógeno. Este nome complicado significa a queda acelerada e temporária dos fios. Quase sempre é decorrente de trauma emocional. Mas pode estar associada a infecções, doenças da tireóide, oleosidade e dermatite seborréica. Nesses casos, é preciso tratar primeiramente as causas.
“Há ainda uma terceira forma de calvície, chamada de alopécia areata, cuja queda é localizada e, em alguns casos, pode até atingir outras áreas, como sobrancelhas e genitália. Também está relacionada ao estresse”, explica Paula.
INJEÇÕES DE CORTICÓIDES – No caso da alopécia areata, uma opção no tratamento são as injeções locais de corticóides e outras drogas que atacam as células que inibem o crescimento dos fios. As aplicações são realizadas em intervalos de 15 dias.
Geralmente, o tratamento da calvície feminina combina o uso de drogas tópicas e orais. Para a dermatologista, a melhor saída ainda é a aplicação diária de loção de minoxidil, em concentrações de 2% a 5%. “Para ajudar no tratamento, podemos receitar xampus à base de jaborandi e cisteína, um aminoácido”, explica.
No tratamento oral, dependendo da história clínica e do resultado laboratorial, ela recomenda suplementos vitamínicos (principalmente aqueles à base de biotina, piridoxina e aminoácidos). Por exemplo: o acetato de ciproterona neutraliza os efeitos dos hormônios androgênios. Já a flutamida bloqueia o receptor andrógeno, diminuindo a quantidade do hormônio masculino na raiz do folículo capilar.
Já a dermatologista carioca Elaine Sênos, lembra que outra opção no tratamento da calvície é a iontoforese uma vez por semana. Ela consiste na introdução nos tecidos, por meio de corrente galvânica (elétrica), de uma fórmula à base de adstringentes, aminoácidos, vasodilatadores, vitaminas e outros medicamentos contra calvície.
“Na iontoforese, o produto é aplicado diretamente no folículo piloso. Além de desobstruí-lo, estimula o bulbo capilar. A sessão dura cerca de 20 minutos”, diz Eliane. Em casos mais graves, quando a paciente não responde ao tratamento clínico, há ainda a opção do microimplante de fios.