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BEM-ESTAR II
Prática ajuda a prevenir doenças

Apesar de não curarem, as técnicas respiratórias presentes na ioga e em outros exercícios ajudam a combater os problemas cardiorrespiratórios e garantem boa disposição

Na opinião de alguns profissionais de saúde, as técnicas de respiração ensinadas pela ioga podem, sim, disciplinar e ajudar o praticante a respirar melhor. Para a fisioterapeuta respiratória e chefe do setor de Fisioterapia do Hospital Arbert Sabin, Andrea Falcão, as técnicas não curam, mas podem colaborar na prevenção de doenças. Ela destaca a importância dos exercícios no tratamento.

“Tenho pacientes praticantes de ioga que já chegam ao consultório bem trabalhados, sabendo respirar direito. Isso só ajuda, pois elimina-se a etapa da reeducação respiratória e postural”, diz.

A também fisioterapeuta respiratória Alexandra Morais, de 32 anos, defende a prática. “A ioga atua não só psicologicamente, mas em um âmbito mais completo, aliando o físico, o emocional e o espiritual.” A fisioterapeuta começou a praticar ioga há três meses, após um período de estresse e sobrecarga de trabalho que acabaram tendo conseqüências no próprio corpo.

“Eu estava mais vulnerável, tive problemas nas articulações, disfunção hormonal e de tão esgotada, estava impaciente e com problemas de relacionamento”, completa. Apesar do pouco tempo, hoje ela já sente os benefícios e ressalta a prática como importante para a prevenção de doenças. “Melhorei minha saúde e condição física. Trabalhando meu corpo e minha musculatura, consegui ter consciência de minha respiração e usar meus pulmões por inteiro. Antes eu respirava automaticamente e tendia a reter o ar por muito tempo”, encerra.

NA HISTÓRIA –Os benefícios da boa respiração são conhecidos há tempos milenares. Os egípcios já tinham conhecimento da necessidade de respirar para preservar a vida, e já admitiam a existência de ‘alguma coisa no ar’ que tornava vivas e animadas todas as partes do corpo.

A medicina egípcia diferenciava o alento da vida (ar inspirado) do alento da morte (ar expirado). Assim, concluiu que havia uma propriedade desconhecida que se disseminava por todo o corpo através da corrente sanguínea. A importância vital da respiração também teve seu registro na medicina hebraica, no livro dos Salmos (104.29): "Se lhes tira a respiração, morrem, e voltam para o seu pó".

Entre os filósofos gregos, Anaximenes (570-500 a.C.) considerava o ar o principal elemento da criação e sustentáculo da vida animal. Para Hipócrates, o calor corporal é inerente à vida: “para a conservação do calor é necessária a respiração, que introduz no corpo o pneuma, elemento vital contido no ar, que segue para os pulmões e passa pelo ventrículo esquerdo, de onde é transportado pelas artérias a todas as partes do organismo.” Na Idade Média, Leonardo da Vinci registrou em um de seus cadernos de nota que a chama de uma vela se apaga na ausência do ar.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.09.2001
Domingo