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ESOTERISMO
De bichos, homens e lobisomens

Meio homem, meio animal. Metade civilizado, metade selvagem. Por fora, polido e respeitável. Por dentro, raivoso e violento.

A descrição lembra algum personagem de história de terror ? Ou alguém que você conhece?

Não é de hoje que histórias de almas sofridas que vivem o conflito da divisão entre personalidades opostas povoam a literatura e as páginas policiais. E a julgar pelo fascínio e atração que exercem, certamente têm algo a ver conosco, com nosso jeito de agir no mundo, desde que se tem notícia de existirem civilizações.

Será que é por isso que o mito do lobisomem sobreviveu durante centenas de anos, incorporando-se ao inconsciente coletivo? Algo a ver com um certo lado instintivo, amoral, sombrio ou impulsivo que aprendemos a reprimir e a esconder no mais íntimo de nós?

LENDAS – Para alguns pesquisadores, as origens das lendas do lobisomem estão mais ligadas ao comportamento de homens do que a espíritos do mal. E mais: longe de inspirarem pavor, esses homens eram vistos com respeito e até admiração. O professor Marcelo Arco e Flexa lembra que, entre os antigos nórdicos, havia guerreiros, os berserkers, que, quando em batalha, entravam num tal estado de frenesi que passavam a não temer nada, nem sentir dor, adquirindo força sobre-humana. Para as comunidades em guerra, eram bastante úteis, pois jamais se rendiam.

O detalhe é que, antes dos embates, os berserkers se vestiam com peles de lobo ou urso, acreditando que, assim, assumiriam a força e selvageria do animal. O termo berserker significa ‘sem camisa’, pois eles lutavam sem armaduras. O pesquisador cita um imperador bizantino que os descrevia como “possuidores de uma ferocidade e loucura somente vistas em bestas selvagens”. “A idéia por trás do costume era a de que o homem podia usar sua natureza animal na guerra e na caça”, revela Marcelo.

Para os índios Kwakiutl, da costa oeste da América, os espíritos criadores eram parte homens, parte animais. Entre os antigos celtas, na Europa, os líderes espirituais, os druidas, eram considerados mestres na arte de virar bichos. “Muitos xamãs de diferentes culturas dizem ser capazes de se transformar em animais, ou de compartilhar sua alma com animais”, escreve o professor.

Com a Inquisição, no século XVI, qualquer forma de cruzamento entre homem e animal foi satanizada. Durante a caça às bruxas, milhares de pessoas foram queimadas sob a acusação de se transformarem em lobos. Daí, talvez, o início das lendas dos lobisomens, vistos como seres do mal.

FERA INTERIOR – Mas voltando ao drama do homem moderno: como lidar com nossa fera interior, que, com tanto estresse, violência e baixa qualidade de vida, vive querendo se soltar, sem controle? O guru indiano Osho/Rajneesh ensinava práticas de meditação ativa onde a pessoa deveria se imaginar como um animal e, assim, ir liberando sua raiva reprimida.

Não porque a achasse feia e desprezível, mas, sim, uma energia forte e vital que precisava ser bem canalizada e transmutada em atitudes firmes e criativas diante dos desafios da vida: “Você é civilizado demais, e isso o aleija. Civilização demais é algo paralisante. É bom em pequenas doses, mas demais é perigoso. Deve-se sempre permanecer capaz de ser um animal. Se você puder aprender a ser um pouco selvagem, seus problemas desaparecerão”.

Tratamento com bolsa térmica e Aromaterapia

Um produto que alia os benefícios do tratamento por calor com a Aromaterapia chega ao mercado. É a Bolsa Térmica Aromaterápica, que além da bolsa para água quente, traz um sachê e um óleo essencial. Há aromas de jasmim, eucalipto, flor de laranjeira e lavanda. O produto é indicado para dores e indisposições de origem física ou emocional, como resfriados, tosse e sinusite, dor muscular, cólicas, sendo também relaxante e antidepressivo. Para contactar com o fabricante: (51) 715.1611 ou www.mercur.com.br

Astrologia e arte

Resgatar o passado para rever livros, teses e teorias em busca das idéias básicas que os nortearam. Observar o presente e avaliar como se comporta a sociedade, o que consome e do que padece. Estar atento ao que está por vir a partir de uma antevisão inspirada na Astrologia Tradicional. Assim se desenvolvem os grupos de estudos de Simbolismos da Academia Castor & Pólux, destinados a astrólogos e pesquisadores interessados. O próximo vai acontecer na quarta-feira (26) e terá como tema a Arte Tradicional. (81) 3268.2117.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.09.2001
Domingo