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VÍRUS II
Nimda: o invasor chega pelo site

Novo verme ataca PCs e servidores com sistemas operacionais Microsoft e mais: contagia até mesmo o micro do internauta caso navegue em site infectado

por BRUNA CABRAL
bruna@jc.com.br

Uma dor de cabeça das grandes. Milhares de internautas do mundo inteiro apresentaram esse sintoma depois de uma ‘navegadinha’ na Web na última semana. A ‘epidemia’ foi causada pelo Nimda, uma praga virtual que se disseminou rapidamente na Rede, inaugurando uma nova forma de contágio: via browser. Isso mesmo. O vírus se aproveita de falhas apresentadas por algumas versões do Internet Explorer para invadir o HD. Mesmo que o internauta seja prevenido a ponto de não abrir um executável.

O problema é que o Nimda, considerado pelos especialistas uma mistura de I Love You, Sircam e Code Red, ataca tanto servidores quanto PCs. E utiliza-se de um para infectar o outro. “Quando se instala em servidores Web, o verme altera todos os sites hospedados na máquina, incluindo um frame com o executável contaminado”, explica o engenheiro de segurança Marco Carnut, da equipe da Tempest, empresa especializada em segurança. A partir daí, a situação se complica para internautas com versões mais antigas do IE (4.0, 5.0 e 5.5 sem o service pack 2). “Nesses casos, o executável se aproveita de brechas para rodar automaticamente.”

A mesma tática de ataque via Java Script é adotada pelos vírus Happy Time e JS Exception, mas eles nunca chegaram a se alastrar na Rede. “Ambos, na verdade, são exploits – pragas conceituais criadas só para provar as falhas do browser”, explica o consultor de Informática Rômulo Cholewa. Falhas que, aliás, são conhecidas há muito tempo. “Também não são recentes os patchs que a Microsoft disponibilizou para corrigi-las.”

Uma vez dentro da máquina, o Nimda não destrói, mas dá uma ‘canseira’ no PC: envia-se para todos os contatos da lista de e-mail do usuário, substitui arquivos de sistema por arquivos gerados por ele (e contaminados, claro) e altera outros, causando queda considerável no desempenho do sistema, senão perda total. Mas o pior efeito do Nimda é abrir a máquina infectada para compartilhamento, deixando o HD vulnerável à ação de hackers.

Nem quando chega por e-mail o Nimda é facilmente ‘detectável’ – o verme se esconde em executáveis disfarçados de arquivos de som. Mas nem sempre é assim. Os executáveis também podem vir com as já ‘manjadas’ apresentações Readme.exe ou Readme.eml. O corpo da mensagem e o subject também são variados. E, mesmo que o usuário desconfie e não abra o arquivo, o Nimda é capaz de entrar em ação.

Mas é nos servidores NT que o vírus causa mais danos. Ele chega nessas máquinas também por uma vulnerabilidade de software – no caso, o Internet Information Server, servidor de páginas do NT. O vírus habilita uma conta de usuário guest e a inclui no grupo de administrador, assumindo o controle sobre a máquina (ou, pior, permite que outras pessoas o façam remotamente). Foi esse passo inicial, aliás, que inspirou o nome da praga: Nimda é admim ao contrário.

A partir daí, o Nimda causa a mesma bagunça que promove nas workstations: propaga-se indefinidamente via e-mail, altera e cria arquivos, satura linhas de comunicação, além de sobrecarregar e abrir a máquina para compartilhamento na Web. E vai um pouco além: detecta se o equipamento está em rede e se espalha, infectando todos os micros, mesmo workstations. Também contamina sites, caso seja um servidor Web. Há ainda uma quarta forma de contágio: ele pega carona no trabalho feito pelo Code Red.

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Jornal do Commercio
Recife - 26.09.2001
Quarta-feira